Construção civil quer transição de cinco anos para fim da escala 6x1

Transição de cinco anos foi principal reivindicação da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, que apresentou 11 propostas ao Ministério do Trabalho

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 05/11/2026, às 17h59

Foto de capacete da construção civil em meio a uma obra
O setor levou à Esplanada dos Ministério 11 proposta referentes à temática alegando que a construção civil vai sofrer grande impacto - Internert

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) defendeu junto ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, uma transição de cinco anos para o fim da escala 6x1.

O setor alega que a implementação imediata exigirá a contratação de 300 mil novos profissionais e gerará um impacto de mais de R$ 20 bilhões anuais em encargos.

O presidente da entidade, Eduardo Aroeira, alertou para o risco de atrasos em obras de infraestrutura e a redução de até 35 mil moradias por ano no programa Minha Casa, Minha Vida devido ao aumento de custos entre 10% e 15%.

O setor da construção civil quer uma transição de cinco anos para instituir o fim da escala 6x1. Essa foi a principal proposta apresentada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em encontro realizado com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, em Brasília.

O setor levou à Esplanada dos Ministério 11 proposta referentes à temática alegando que a construção civil vai sofrer grande impacto caso as medidas comecem a ser implementadas no prazo de 60 dias a partir da promulgação do texto. 

A principal reivindicação foca na ampliação do período de transição para cinco anos. A medida busca garantir prazo para as empresas reorganizarem operações, renegociarem contratos e investirem em qualificação profissional e inovação tecnológica.

O setor alega que estudos técnicos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção apontam que a redução da jornada poderá representar a perda de quase 600 milhões de horas de trabalho por ano, exigindo a contratação de aproximadamente 300 mil novos profissionais para manter a atual capacidade produtiva. Por isso, precisaria de um tempo maior para a transição. 

De acordo com o texto aprovado pelo Congresso, a partir de 15 de dezembro, a carga horária semanal já será reduzida para 42 horas. Depois de um ano, serão 40 horas semanais. 

Durante a reunião com o ministro do Trabalho e Emprego, o presidente da CNIC, Eduardo Aroeira, ressaltou que os impactos vão além do aumento dos custos para as empresas, podendo comprometer a execução de empreendimentos habitacionais, de infraestrutura e de serviços essenciais à população. 

“A construção civil tem características muito próprias. Somos um setor intensivo em mão de obra e já enfrentamos dificuldades para contratar trabalhadores. Com a redução da jornada, precisaríamos de cerca de 300 mil novos profissionais em um período muito curto, sem tempo suficiente para aumentar a produtividade. Nossa preocupação não é apenas com o aumento dos custos, mas principalmente com os impactos sociais, como atrasos na entrega de moradias, creches, hospitais e obras de infraestrutura”, disse Eduardo. 

Aroeira pontuou ainda que a elevação dos custos de mão de obra, estimada entre 10% e 15%, poderá afetar diretamente programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, além de pressionar os investimentos públicos em um cenário de restrições orçamentárias. O setor destaca que o impacto poderá elevar os encargos do setor em mais de R$ 20 bilhões anuais. 

Para tentar sensibilizar o Governo Federal, a CBIC apresentou dados alegando que, na habitação, a preocupação está relacionada à capacidade de manter o ritmo de programas como o Minha Casa, Minha Vida. Segundo as estimativas apresentadas por Eduardo Aroeira, o impacto poderá representar cerca de 35 mil moradias a menos por ano, com reflexos sobre o atendimento de quase 500 mil pessoas em cinco anos. 

Outras propostas 

Entre as 11 propostas apresentadas ao Ministério, a CBIC também defende que a regulamentação permita a distribuição das 42 horas semanais de trabalho em cinco dias, com jornadas de 8 horas e 24 minutos. Pela proposta, os 24 minutos que ultrapassam a oitava hora diária não seriam considerados horas extras. A entidade também pede que esse modelo possa ser definido por meio de acordos ou convenções coletivas.

Para a construção civil, a entidade reivindica regras próprias de compensação de jornada, levando em conta as particularidades do setor, como interrupções provocadas pelas condições climáticas, paralisações técnicas e diferentes etapas de execução das obras. A proposta prevê a possibilidade de compensação semanal e mensal, além da adoção de bancos de horas negociados entre empregadores e trabalhadores.

Outro ponto do documento trata do descanso semanal remunerado. A CBIC pede critérios mais claros para a concessão do benefício e defende que feriados coincidentes com dias de descanso não resultem, automaticamente, em folgas adicionais, créditos no banco de horas ou pagamento em dobro.

A entidade também propõe a adoção de regras nacionais uniformes para a regulamentação, com o objetivo de evitar divergências de interpretação entre os estados sobre temas como divisores salariais, compensação de jornada e descanso semanal.