Acordo entre Mercosul e União Europeia será assinado no Paraguai este sábado (17)

Apesar de assinatura quase certa, membros do Mercosul e da União Europeia enfrentam críticas internas sobre protecionismo; alguns países ainda se opõem

Otávio Gaudêncio

por Otávio Gaudêncio

Publicado em 12/01/2026, às 10h23 - Atualizado às 11h46

Duas bandeiras. À esquerda, a do Mercosul, à direita, União Europeia. No fundo, o céu.
França lidera contraposição ao acordo - Divulgação

* O acordo Mercosul–União Europeia será assinado no sábado (17), em Assunção, no Paraguai.

A UE eliminará tarifas para cerca de 91% das exportações do Mercosul e dará preferência a outros 7,5%.

Cerca de 99% das exportações agrícolas do Mercosul serão beneficiadas.

O acordo foi aprovado pelo Conselho Europeu após quase 30 anos de negociações.

O Brasil tende a se beneficiar no agronegócio, enquanto a UE ganha com produtos industrializados.

O acordo também busca reduzir burocracia e facilitar investimentos estrangeiros.

Países como França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se opõem ao tratado.

Mesmo após a assinatura, o acordo não terá vigência imediata.

Para entrar em vigor, o texto ainda precisa do aval do Parlamento Europeu e dos Estados-membros.

O ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Ruben Ramírez, confirmou que o acordo entre o Mercosul e União Europeia (UE) será assinado no sábado (17), em Assunção, no Paraguai, que ocupa a presidência rotativa do bloco. 

De acordo com o ministro, os demais ministros de Relações Exteriores do Mercosul escolheram em conjunto a data de assinatura.

“A Argentina e os países do Mercosul terão acesso preferencial à União Europeia, a terceira maior economia global, um mercado de 450 milhões de pessoas, que representa cerca de 15% do PIB mundial”, destacou o ministro de Relações Exteriores da TJPE alcança 100% das inspeções nos programas de atendimento socioeducativo em Pernambuco atendendo a todos os municípios do Estado, Pablo Quirno.

“A União Europeia eliminará tarifas para 92% de nossas exportações e concederá acesso preferencial para outros 7,5%. Dessa forma, 99% das exportações agrícolas do Mercosul serão beneficiadas”, completou.

O acordo

Após quase três décadas de negociação, o Conselho Europeu aprovou a colaboração entre os países. A decisão foi tomada em reunião do Comitê de Representantes Permanentes, em Bruxelas, na Bélgica.

“Os acordos precisarão da aprovação do Parlamento Europeu antes de serem formalmente concluídos pelo Conselho. A ratificação por todos os Estados-Membros da UE também será necessária para que o EMPA entre em vigor“, detalha a decisão do Conselho Europeu.

O texto prevê eliminação gradual de tarifas que estão aplicadas a cerca de 91% do comércio entre os blocos e, para o lado brasileiro, pode facilitar a entrada de produtos do agronegócio aos países europeus. Já para o lado da UE, os principais produtos a serem beneficiados são os industrializados. 

Além da barreira financeira, o tratado também visa diminuir a burocracia exigida nas negociações, além de facilitar entrada de capital estrangeiro.

Entraves políticos e atraso nas negociações

Nem todos os países do bloco europeu desejam dar prosseguimento ao acordo. Este é o caso da França, onde o setor agrícola defende uma política mais protecionista nas importações, devido ao alto potencial produtivo dos países latinos

Para os agricultores franceses, as regras exigidas pela UE são mais rígidas, tornando a competição entre os mercados, desleal.

A maioria dos membros da União Europeia é a favor. Dos 27 países, França, Irlanda, Polônia, Áustria e Hungria se opuseram ao acordo; Bélgica se absteve. 

Mesmo que assinado sábado, o tratado ainda não será vigente, pois precisa da aprovação do Parlamento Europeu. 

O Parlamento e o Conselho Europeu pautam medidas que permitam suspender preferências tarifárias caso haja impactos negativos às produções locais.