Silvio Costa Filho lança campanha de combate à violência contra mulheres em aeroportos

Campanha “Assédio Não Decola, Feminicídio Também Não” começa a ser veiculada em aeroportos e aeronaves, com foco em prevenção, orientação e denúncia

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 22/12/2025, às 16h55

Imagem Silvio Costa Filho lança campanha de combate à violência contra mulheres em aeroportos

Governo Federal lançou campanha contra assédio e feminicídio nos aeroportos.

Ação envolve Ministério, Anac e concessionárias do setor aéreo.

Materiais orientam sobre prevenção e canais de denúncia, como o Ligue 180.

Dados oficiais indicam recorde de feminicídios no Brasil em 2024

Em sintonia com o presidente Lula (PT), que afirmou quando esteve em Pernambuco que lideraria uma campanha nacional de enfrentamento à violência contra mulheres, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos), lançou nesta segunda (22), a campanha "Assédio Não Decola, Feminicídio Também Não".

A campanha marca o início da veiculação de materiais de conscientização, prevenção, orientação e informação voltados a profissionais da aviação, passageiros e usuários dos terminais. As peças passam a circular em aeroportos e aeronaves, com foco na ampliação do debate e no fortalecimento dos canais de denúncia.

Ao apresentar a iniciativa, o ministro destacou o alcance da ação. De acordo com Silvio Costa Filho, “estamos lançando, a partir de hoje, essa grande campanha em defesa das mulheres em nosso país”, disse, ao afirmar que o material estará presente nos aeroportos, nos aviões e junto aos profissionais do setor.

O ministro também ressaltou o papel estratégico dos aeroportos na mobilização da sociedade. De acordo com ele, “são locais de grande concentração de pessoas, com passageiros indo e vindo, e é por isso que estamos fazendo esse chamado para que as pessoas denunciem”, afirmou.

Silvio Costa Filho acrescentou que a atuação será integrada entre os órgãos federais e concessionárias. Para o ministro, “todo o Governo Federal está comprometido com a proteção das mulheres”, afirmou, ao citar o uso de câmeras, a atuação da Polícia Federal e o envolvimento das administradoras aeroportuárias na divulgação da campanha.

A ação integra a segunda fase da campanha “Assédio Não Decola”, iniciada em maio, e é desenvolvida em parceria com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e a Associação Brasileira das Concessionárias de Aeroportos (ABR). O material orienta trabalhadores, empresas e usuários sobre prevenção ao assédio, enfrentamento à violência e acesso aos serviços de apoio.

Feminicídio não Decola

A gerente do Programa Mulheres na Aviação, da Anac, Ana Mota, afirmou que a campanha amplia o uso de espaços públicos no combate à violência contra as mulheres. Segundo ela, “nenhuma forma de violência pode ser naturalizada ou tolerada em qualquer ambiente”, disse, ao destacar o alinhamento da ação com os programas “Asas para Todos” e “Mulheres na Aviação”.

Ana Mota também ressaltou a necessidade de envolvimento de diferentes setores. Para a gestora, “enfrentar a violência contra a mulher é uma responsabilidade de todos nós”, afirmou, ao defender a participação do poder público, companhias aéreas, concessionárias, profissionais do setor e passageiros.

A campanha prevê a divulgação de vídeos e cartazes nos terminais, com destaque para canais de denúncia do Governo Federal, como o Ligue 180, além da orientação para que vítimas e testemunhas procurem os serviços de segurança dos aeroportos, balcões de informação e tripulações.

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho, apontam que o Brasil registrou, em 2024, o maior número de feminicídios desde a tipificação do crime, em 2025. Foram contabilizadas 1.492 vítimas, média de quatro mortes por dia, com aumento de 0,7% em relação a 2023.

Segundo o levantamento, a maioria dos crimes foi cometida por companheiros ou ex-companheiros, que somam quase 80% dos casos com autoria identificada. Em 97% das ocorrências, o agressor era do sexo masculino. O perfil das vítimas é majoritariamente de mulheres negras e na faixa etária entre 18 e 44 anos, com crescimento nos casos envolvendo adolescentes e idosas. A maior parte dos crimes ocorreu dentro da residência da vítima.