Agência de Regulação validou o reajuste de 4,46% na passagem de ônibus. MPPE apura reclamações sobre irregularidades na convocação e nos prazos do conselho
por Cynara Maíra
Publicado em 22/01/2026, às 11h18 - Atualizado às 12h47
A Homologação: O Governo de Pernambuco oficializou o aumento da passagem de ônibus para R$ 4,50 a partir de 1º de fevereiro.
A Investigação: O Ministério Público (MPPE) apura denúncias de irregularidades na reunião do Conselho, como o desrespeito aos prazos para análise de documentos.
A Oposição: O deputado Romero Albuquerque e o ex-vereador Ivan Moraes questionam a legitimidade do conselho e a falta de transparência no processo.
A Justificativa: O Estado alega que o reajuste segue a inflação (IPCA) e que subsidia o sistema em cerca de R$ 500 milhões para evitar um valor maior.
Os Valores: Além do Bilhete Único, as tarifas de linhas opcionais e do Anel G também sofreram reajuste.
O Governo de Pernambuco homologou o aumento de 4,46% no valor das passagens de ônibus na Região Metropolitana do Recife.
Segundo material publicado no Diário Oficial desta quinta-feira (22), a Agência de Regulação de Pernambuco (Arpe) validou a decisão que o Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) tomou em reunião anterior.
A medida eleva o preço do Bilhete Único de R$ 4,30 para R$ 4,50 a partir de 1º de fevereiro.
A oficialização do reajuste ocorre enquanto o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) mantém um procedimento aberto para investigar irregularidades na reunião que definiu os novos valores. O advogado e representante da Frente de Luta pelo Transporte Público, Pedro Josephi, apresentou denúncia ao órgão fiscalizador.
Além de Pedro, também foram ao MPPE o deputado Romero Albuquerque (UB) e o ex-vereador do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, Ivan Moraes (PSOL).
Romero apontou falta de transparência e conflito de interesses na abstenção de conselheiros ligados ao governo.
Ivan questionou a legitimidade do próprio conselho. Moraes afirma que parte do colegiado atua com mandatos vencidos, pois as conferências para renovação dos membros não ocorrem há oito anos, o que fere a periodicidade legal de quatro anos.
Segundo a representação, o governo descumpriu os prazos regimentais para a convocação dos conselheiros. O regimento interno do CSTM exige uma antecedência mínima de dez dias para a disponibilização dos documentos técnicos, mas os membros receberam as planilhas apenas três dias antes do encontro.
O governo alega que o aumento reflete a inflação que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) mediu entre dezembro de 2024 e novembro de 2025. O Grande Recife Consórcio de Transporte argumenta que a tarifa técnica atinge R$ 6,14 e que o Estado aporta cerca de R$ 500 milhões em subsídios para manter o preço final em R$ 4,50 para o usuário.
Além do Bilhete Único, as linhas opcionais também sofreram reajuste. A linha Recife/Porto de Galinhas sem ar-condicionado passa a custar R$ 15,40 e a opcional sobe para R$ 22,50.
A votação no conselho terminou com 14 votos favoráveis, cinco contrários e três abstenções. Durante a reunião, que ocorreu em formato online e presencial, manifestantes protestaram na sede do consórcio e exigiram a gratuidade no transporte.
O MPPE concedeu um prazo de 10 dias úteis para o CSTM enviar a ata da reunião, as propostas e os estudos técnicos que embasaram a decisão. A denúncia aponta, supostamente, que os relatórios de qualidade das empresas de ônibus não ficaram disponíveis para os conselheiros antes da votação.
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A Frente de Luta pelo Transporte Público, representado por Pedro Josephi, anunciou que judicializará a questão para tentar barrar o aumento. O grupo classifica a condução do processo pelo governo como autoritária e prejudicial à análise diligente das planilhas de custos.