Edital deve ser lançado apenas em setembro de 2026, com contratos previstos para 2027; ônibus do Grande Recife operam sem concessão formal
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 25/02/2026, às 14h35
Licitação do Grande Recife foi adiada novamente.
Processo começou em 2013 e segue inconcluso.
MPPE aponta envelhecimento da frota de ônibus.
Entidade critica cronograma e questiona subsídios e tarifas.
O Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano adiou mais uma vez a licitação para contratação definitiva das empresas que operam as linhas de ônibus da Região Metropolitana do Recife. O novo cronograma prevê a publicação do edital apenas em setembro de 2026, com eventual assinatura dos contratos em fevereiro de 2027.
Com isso, o processo iniciado em 2013, ainda na gestão do ex-governador Eduardo Campos (PSB), permanece inconcluso. Na administração da governadora Raquel Lyra (PSD), o certame já foi adiado duas vezes.
Atualmente, cerca de 75% do sistema funciona sob regime de permissão, considerado juridicamente mais precário do que a concessão formal obtida por meio de licitação. Na prática, as empresas operam sem contratos definitivos que estabeleçam metas e obrigações detalhadas.
A licitação foi apresentada há mais de uma década como medida para reorganizar o sistema metropolitano, com previsão de investimentos de R$ 15 bilhões e divisão da operação em sete lotes. Apenas dois tiveram contratos assinados, em 2013, quando as empresas Conorte e Metropolitana assumiram, respectivamente, os corredores Norte-Sul e Leste-Oeste.
Enquanto o processo não é concluído, usuários relatam superlotação, atrasos e problemas na conservação dos veículos.
Levantamento divulgado em dezembro de 2025 pelo Ministério Público de Pernambuco apontou que aproximadamente um terço dos ônibus em circulação no Grande Recife já ultrapassou a vida útil recomendada. Em algumas empresas, segundo o órgão, mais da metade da frota estaria nessa condição.
O MPPE informou que parte significativa dos veículos opera além do tempo indicado, o que pode comprometer a qualidade do serviço. Entre os problemas relatados estão falhas mecânicas, desconforto e riscos à segurança dos passageiros.
O órgão expediu recomendações ao consórcio para que haja substituição dos coletivos e alertou que, mantido o ritmo atual, até 70% da frota poderá estar fora do prazo recomendado até o fim de 2026.
A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco informou ter sido comunicada oficialmente sobre o segundo adiamento do edital. Segundo a entidade, a ausência de contratos definitivos transfere ao Estado parte significativa dos custos do sistema por meio de subsídios fiscais, estimados em cerca de R$ 500 milhões, além da tarifa paga pelos usuários.
De acordo com a frente, em 2025 o governo estadual desembolsou aproximadamente R$ 22 milhões com compra antecipada de passagens. A entidade também afirma que o sistema vem perdendo passageiros e que o custo do transporte, hoje a Tarifa A é de R$ 4,50 compromete parcela relevante do orçamento familiar.
Em nota, o coordenador da organização, Pedro Josephi, que também integra o Conselho Superior de Transporte Metropolitano, criticou o novo cronograma e mencionou questionamentos judiciais sobre reajustes tarifários. A entidade informou ter apresentado recurso ao Tribunal de Justiça de Pernambuco relacionado ao aumento da passagem.