Especialista em pesquisas eleitorais vê direita fragmentada, votos migrando e Lula furando a bolha conservadora, com base em estudos da Quaest e Ideia
por Jamildo Melo
Publicado em 27/01/2026, às 14h30
As pesquisas Quaest e Ideia indicam que Lula aparece como único nome da esquerda no primeiro turno, enquanto a direita surge fragmentada.
Mesmo assim, os dados mostram que parte do eleitorado conservador tende a migrar para Lula no segundo turno.
Segundo especialistas como Maurício Romão, cerca de um em cada três eleitores que não votaram nele inicialmente acabariam apoiando Lula na etapa final.
Isso sugere que a “bolha” da direita não é totalmente fechada e pode ser atravessada.
Já líderes conservadores, como Romeu Zema, apostam na união da direita no segundo turno, mas a eficácia dessa promessa ainda é incerta.
No romance Os Três Mosqueteiros, o lema é “um por todos e todos por um”.
Na política brasileira, às vezes, parece o inverso: um contra todos… mas nem todos contra um.
É mais ou menos isso que os números das pesquisas Quaest e Ideia, divulgadas agora em janeiro, ajudam a mostrar...
... sempre com a devida cautela, porque ainda estamos a nove meses da eleição.
Nos cenários testados, Lula aparece como o único nome da esquerda no primeiro turno.
Do outro lado, vários candidatos da direita disputando espaço.
E aí vem o dado curioso, apontado pelos especialistas...
... mesmo em um segundo turno hipotético entre Lula e Flávio Bolsonaro, uma fatia considerável do eleitorado da DIREITA acabaria migrando para Lula.
Pelos números, cerca de um em cada três eleitores que não votaram em Lula no primeiro turno acabariam votando nele no segundo.
"A bolha não é tão impermeável assim", afirma o economista e especialista em pesquisas Maurício Romão.
De acordo com os pesquisadores, Lula não vence apenas “apesar” da direita fragmentada. Vence também furando a bolha da direita.
Enquanto isso, no campo conservador, o discurso começa a mudar de tom.
Em passagem recente aqui pelo Recife, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi direto ao ponto...
Ele disse que a direita pode até chegar dividida no primeiro turno, mas “vai estar unida no segundo turno”.
Será? A promessa é conhecida. Já foi feita antes.
A dúvida é se, na prática, essa união segura todo mundo dentro do mesmo cercadinho eleitoral.
O povo vai na mesma direção? Mesmo se sabendo do crescimento do conservadorismo?
Gente que acompanha as pesquisas afirma que, pela leitura dos números de hoje, não se trata de “todos contra um”. É “um contra todos”… com ajuda de parte dos outros.
Em uma eleição presidencial, isso pode fazer toda a diferença. Quem viver, verá!
O texto acima é a reprodução da coluna exclusiva do site Jamildo.com para a CBN, nesta terça-feira
Leia também