Combustíveis: entre o discurso político e a realidade do abastecimento

Revendedores voltam a ser alvo de pressões e discurso político, apesar de serem apenas o último elo de uma cadeia influenciada por fatores como petróleo, câmbio, importação e tributação

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 31/05/2026, às 16h43

Em artigo assinado por Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE, categoria se posiciona: O setor de combustíveis não pode continuar servindo de palco político e eleitoral para discursos populistas. - Foto: Divulgação
Em artigo assinado por Alfredo Pinheiro Ramos, presidente do Sindicombustíveis-PE, categoria se posiciona: O setor de combustíveis não pode continuar servindo de palco político e eleitoral para discursos populistas. - Foto: Divulgação

Por Alfredo Pinheiro Ramos - presidente do Sindicombustíveis-PE

Mais uma vez, o Governo Federal joga para a torcida em pleno ano eleitoral, tentando transferir para os postos de combustíveis a responsabilidade por um problema que nasce muito antes da revenda.

Enquanto isso, utiliza toda a estrutura do Estado - PROCON, Ministério Público, ANP e demais órgãos - para criar uma narrativa pública contra um setor que gera empregos, arrecada bilhões de Reais em impostos e sustenta milhares de famílias no Brasil.

O mais grave é ver propaganda em horário nobre de televisão, paga com dinheiro dos nossos próprios impostos, estimulando a população a enxergar o posto como vilão, quando o revendedor é apenas o último elo da cadeia e não define política de preços de refinaria, câmbio, petróleo ou impostos.

O setor de combustíveis não pode continuar servindo de palco político e eleitoral para discursos populistas que colocam empresários sérios sob suspeita perante a sociedade. O que estamos vendo é um verdadeiro engodo econômico.

O governo força artificialmente uma redução da diferença da paridade internacional enquanto empurra o mercado cada vez mais para a dependência da importação, para garantir o abastecimento do país.

A própria Petrobras vem reduzindo participação em determinadas importações e ajustando sua política visando resultado financeiro e distribuição de dividendos aos acionistas.

Com isso, quem acaba sustentando parte relevante do abastecimento são importadores e distribuidoras privadas, expostos ao dólar, ao Brent, ao frete internacional e a toda volatilidade global.

Depois, o governo cria mecanismos artificiais de subvenção para maquiar momentaneamente os preços e vender uma narrativa política para a população. Mas essa conta não desaparece. Ela fica dentro da cadeia e alguém paga mais na frente.

E quando surgem os desequilíbrios, a pressão recai novamente sobre os postos de combustíveis, que não refinam petróleo, não importam na maior parte dos casos e não definem política de preços, mas acabam sendo transformados em vilões perante a sociedade.