A nova administração imobiliária já começou: quem não se adaptar ficará para trás

A reforma tributária, a digitalização e o cruzamento inteligente de dados vão transformar definitivamente a administração imobiliária. Para Pernambuco, a mudança representa desafios, mas também uma oportunidade histórica de ampliar a formalização e profissionalizar o setor

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 08/08/2026, às 07h55

Luciano Novaes defende que a reforma tributária marcará uma nova fase da administração imobiliária, impulsionando a formalização do mercado e exigindo maior profissionalização das imobiliárias - Foto: Divulgação
Luciano Novaes defende que a reforma tributária marcará uma nova fase da administração imobiliária, impulsionando a formalização do mercado e exigindo maior profissionalização das imobiliárias - Foto: Divulgação

Há momentos em que um setor evolui gradualmente. E há momentos em que ele é obrigado a mudar de patamar. É exatamente esse o cenário da administração imobiliária no Brasil. Durante muitos anos, nosso mercado concentrou esforços em modernizar processos, incorporar tecnologia e profissionalizar a gestão dos imóveis.

A transformação foi significativa. Saímos de uma operação essencialmente analógica para um ambiente altamente digitalizado, com informações em tempo real, sistemas integrados, inteligência de dados e processos muito mais eficientes.

Mas essa evolução é apenas o começo. A implementação da reforma tributária inaugura uma nova etapa para o setor.

Mais do que uma mudança na forma de recolher impostos, ela cria um novo ambiente de responsabilidades, controle e transparência que exigirá um nível ainda maior de especialização das empresas que administram patrimônios imobiliários.

As imobiliárias passarão a lidar com novas obrigações acessórias, novos procedimentos relacionados aos impostos e contribuições e uma definição mais precisa das responsabilidades tributárias envolvendo proprietários e locatários.

Isso exigirá atualização permanente, investimento em tecnologia, capacitação das equipes e revisão dos processos internos. Mas quem enxergar de forma isolada o aumento das exigências olhará apenas para metade do cenário. A outra metade revela uma oportunidade talvez inédita para o mercado imobiliário brasileiro.

Hoje, estima-se que apenas 20% das locações estejam inseridas no mercado formal, administradas por imobiliárias e acompanhadas dentro das regras fiscais. Os outros 80% permanecem na informalidade, em contratos realizados diretamente entre proprietário e inquilino, muitas vezes sem o devido registro tributário.

Esse percentual revela o verdadeiro tamanho do potencial de crescimento da administração imobiliária profissional. Com os novos mecanismos de fiscalização e, principalmente, com o avanço do cruzamento inteligente de informações entre diferentes bases de dados da administração pública, manter contratos de locação fora da formalidade tende a se tornar cada vez mais difícil.

A reforma tributária não apenas cria novas regras. Ela fortalece a capacidade de fiscalização por meio da integração das informações fiscais, ampliando significativamente a rastreabilidade das operações imobiliárias. 

Isso significa que milhares de proprietários precisarão rever a forma como administram seus imóveis. E essa mudança deve provocar uma migração expressiva da informalidade para a formalidade em todo o país.

Essa transição representa segurança jurídica para o proprietário, maior proteção para o locatário, aumento da arrecadação pública e, principalmente, valorização da atividade das imobiliárias, que passam a exercer um papel ainda mais estratégico na gestão patrimonial.

Administrar imóveis já deixou de ser simplesmente emitir boletos, cobrar aluguéis ou intermediar contratos. Hoje, passou a significar gestão tributária, conformidade legal, inteligência de dados, prevenção de riscos e planejamento patrimonial.

Em Pernambuco, as imobiliárias já vêm demonstrando capacidade de adaptação. O setor investiu fortemente em digitalização nos últimos anos e segue preparado para enfrentar esse novo ciclo.

O Secovi-PE também tem trabalhado para oferecer orientação técnica, capacitação e suporte às empresas associadas durante todo esse processo de transição.

Mais do que uma mudança regulatória, estamos diante de uma mudança cultural. Os proprietários que ainda administram seus imóveis de maneira informal precisam compreender que esse modelo tende a perder espaço rapidamente.

Buscar uma gestão profissional deixará de ser apenas uma escolha conveniente para se tornar uma decisão estratégica, capaz de reduzir riscos, garantir conformidade tributária e preservar o patrimônio.

A administração imobiliária vive um dos momentos mais importantes de sua história recente. As mudanças já começaram. E, como acontece em toda transformação, haverá espaço para quem estiver preparado para liderar esse novo mercado.