Aumento dos carros elétricos e híbridos acende alerta para revisão da estrutura elétrica das edificações

Para Secovi-PE, instalações de carregadores veiculares em condomínios e edificações é apenas ponta do iceberg.

Redação Jamildo.com

por Redação Jamildo.com

Publicado em 21/07/2026, às 16h28 - Atualizado às 16h30

Com quase um mês da vigência da Norma Técnica 17, os condomínios e administradoras de condomínios precisam mais do que nunca estarem atentos às adaptações orientadas pelos bombeiros - Foto: Divulgação
Com quase um mês da vigência da Norma Técnica 17, os condomínios e administradoras de condomínios precisam mais do que nunca estarem atentos às adaptações orientadas pelos bombeiros - Foto: Divulgação

Passou a vigorar, desde o dia 01 de julho, a Norma Técnica 17, emitida pelo Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco – CBMPE, trazendo a regulamentação da instalação de carregadores de veículos elétricos e híbridos em edificações residenciais e comerciais, além de exigências de sistemas preventivos para esses espaços. 

A exigência foi uma resposta ao protagonismo crescente dos carros elétricos e híbridos no mercado automotivo brasileiro e, consequentemente, nas garagens dos condomínios.  

De acordo com a Associação Brasileira do Veículo Elétrico - ABVE, em 2025, o país registrou 223.912 emplacamentos de veículos leves eletrificados, um crescimento de 26% em relação às 177.358 unidades vendidas em 2024, desempenho quase dez vezes superior ao avanço do mercado automobilístico como um todo. 

Segundo a Secretaria Nacional de Trânsito – Senatran, em Pernambuco, o cenário acompanha esse movimento. A frota de veículos eletrificados chegou a 22.876 unidades em fevereiro de 2026, um crescimento de 189% em relação a fevereiro de 2024. 

Recife concentra mais da metade dessa frota, com 12.240 veículos, confirmando a capital como o principal polo da mobilidade elétrica no Estado.

Dados do Departamento Estadual de Trânsito de Pernambuco – Detran-PE, divulgados este ano, também apontam que mais de oito mil veículos eletrificados foram emplacados em Pernambuco ao longo de 2025, refletindo a rápida adesão dos consumidores à nova tecnologia.

A expansão da frota, no entanto, traz desafios que vão muito além das concessionárias e montadoras. Nos condomínios residenciais e comerciais, cresce a demanda por infraestrutura de recarga, exigindo adaptações nas instalações elétricas, definição de regras para utilização das vagas, critérios para medição individual do consumo de energia e investimentos em sistemas capazes de suportar o aumento da carga elétrica.

Questões que até poucos anos atrás eram exceção passam a integrar as pautas das assembleias condominiais e o planejamento de síndicos e administradoras, transformando a mobilidade elétrica em um novo capítulo da gestão dos empreendimentos.

O Sindicato da Habitação de Pernambuco - Secovi-PE, entidade que representa condomínios, administradoras de condomínios e imobiliárias no estado, acredita que a velocidade desse crescimento deve acelerar a modernização dos edifícios brasileiros, mas não sem muita discussão.

Reunião Secovi-PE e Corpo de Bombeiros de Pernambuco

No caso dos empreendimentos em obra, as licenças urbanísticas competentes serão concedidas diante das comprovações de que a normativa do Corpo de Bombeiros está sendo observada. Sem isso, o Habite-se não será concedido. 

Vale ressaltar que a maioria das empresas de construção vinham, há mais tempo, de olho nas novas demandas dos potenciais clientes.

Enxergaram a instalação de carregadores não como um futuro possível ou apenas um diferencial de mercado, mas como um item estratégico de infraestrutura, capaz de influenciar, no presente, a valorização dos imóveis e atratividade dos empreendimentos.

Conforme mencionada por representantes do Corpo de Bombeiros durante reuniões e eventos com diretores e associados do Secovi-PE, conduzidas pelo presidente Luciano Novaes, o cenário de expansão contínua da eletromobilidade, compreende tanto os automóveis como motocicletas e bicicletas. Condomínios despontam como um dos principais espaços de adaptação às transformações da matriz de transporte no país. 

Novaes tem destacado, no entanto, que nesse seguimento, não há como repassar um custo de obras de adaptação aos adquirentes, pois os condomínios já são o ciclo de vida final dessas edificações. E um ciclo com contas bem apertadas, diga-se de passagem.

Caberá aos moradores, ou dependendo do caso, aos proprietários dos veículos, arcarem com altos valores de adaptação. 

Para a conta fechar sem deixar de lado a segurança pessoal e patrimonial

Desde 2025, quando iniciou a discussão sobre “quem paga o quê” nessa nova ordem de matriz energética automotiva, a entidade vem participando de articulações e debates junto a órgãos como o Corpo de Bombeiros e o Sindicato dos Corretores de Seguros do Estado de Pernambuco Sincor-PE, a fim de defender alternativas viáveis para a realidade condominial, sem renunciar à segurança física e patrimonial dos condôminos. 

Sim, os desafios da infraestrutura elétrica dos condomínios diante do aumento do consumo de energia mexeram com várias relações da administração condominial.

Da novidade com os carregadores de veículos elétricos até o aumento da demanda de energia diante do crescente uso de eletrodomésticos mais potentes, como ar-condicionados em mais ambientes do apartamento, passando ainda pelos seguros obrigatórios.

A instalação dos carregadores é só a ponta do iceberg. 

Quase um mês após a vigência da Norma Técnica 17, os condomínios e administradoras de condomínios precisam mais do que nunca estarem atentos à essas questões, uma vez que não devem confiar em uma “morosidade” das fiscalizações.

Segundo a norma, os condomínios só terão os seus AVCBs renovados após a comprovação das adaptações cabíveis. 

E o seguro obrigatório, por sua vez, só estará válido diante desse AVCB regular. Ou seja, uma hora a conta chega. 

O Secovi-PE, através do seu Departamento Jurídico, preparou um guia compacto e objetivo com orientações para os síndicos e condomínios. O documento resume os aspectos técnico, jurídico e administrativo e pode ser conferido no site da entidade.