Raquel Lyra voltará com monitoramento de tubarões com chips após turista mordida em Noronha

Cynara Maíra | Publicado em 13/01/2026, às 09h57 - Atualizado às 10h32

Caso ocorreu em Fernando de Noronha - Weidson Carlos/
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O Governo de Pernambuco lançou, na segunda-feira (12), um edital para retomar o monitoramento de tubarões na costa do estado. O projeto prevê a instalação de microchips nos animais para acompanhar o comportamento e os locais de circulação, para evitar novos ataques.

Essa política já ocorria até 2015, quando foi suspensa. Raquel Lyra autorizou a retomada com investimento superior a R$ 1 milhão para um período de dois anos, com expectativa de início das atividades a partir de maio.

O anúncio ocorre poucos dias após um incidente em Fernando de Noronha. Na última sexta-feira (9), a advogada Tayane Dalazen, de 36 anos, foi mordida por um tubarão-lixa enquanto mergulhava no Porto de Santo Antônio.

Meta é atualizar dados defasados, explica Daniel Coelho

O secretário estadual de Meio Ambiente, Daniel Coelho (PSD), destacou que a base de dados atual é antiga e não reflete a realidade da fauna marinha local.

"O que a gente quer e vai poder fazer, a partir de maio deste ano, é identificar quantos tubarões tem em cada trecho de praia e em que horário eles chegam mais perto da costa, e, a partir daí, poderem ser feitas ações educativas para orientar a população", afirmou Coelho em entrevista para Globo. 

O edital, que recebe propostas de instituições acadêmicas públicas até o início de março, deve estender o monitoramento para toda a costa continental. Atualmente, apenas o arquipélago de Noronha conta com acompanhamento sistemático, através da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).

Nesse procedimento, os pesquisadores capturam os tubarões, fazem a marcação e os soltam para saber a trajetória de deslocamento. 

O ataque em Noronha

A gestão apresentou com maior celeridade o projeto após o caso da turista Tayane Dalazen. Ela fazia mergulho de apneia quando um tubarão-lixa a atacou. Essa espécie geralmente não é agressiva.

Segundo relatos, o animal teria reagido após um mergulhador bater com uma câmera em sua cabeça.

O guia de turismo Erivaldo Alves da Silva precisou dar socos no tubarão para que ele soltasse a vítima. O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) investiga o caso e cogita proibir o mergulho na área devido à prática irregular de alimentação dos animais.

Contexto de risco em Pernambuco

Desde 1992, o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) registrou 80 ataques em Pernambuco: 67 no Grande Recife e 13 em Noronha.

A área de maior risco compreende um trecho de 33 km entre a Reserva do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, e a Praia do Farol, em Olinda. No entanto, o banho de mar é proibido apenas em uma faixa de 2,2 km na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes.

Especialistas apontam que fatores como a topografia do litoral (canais profundos próximos à praia) e a degradação ambiental contribuem para a alta incidência de tubarões na costa pernambucana.

Raquel Lyra fernando de noronha

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