João Paulo diz que PT discute apoio a Raquel Lyra e volta a defender dois palanques para Lula em Pernambuco

Deputado João Paulo afirma que partido discute alianças para 2026, admite dois palanques para Lula e faz críticas à relação com o PSB

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 12/01/2026, às 17h09

Foto: Jarbas Araújo / Alepe
Foto: Jarbas Araújo / Alepe

PT discute possibilidade de apoiar Raquel Lyra nas eleições de 2026

João Paulo defende cenário com dois palanques para Lula em Pernambuco

Deputado critica relação política do partido com o prefeito João Campos

Disputa ao Senado e divisões internas seguem sem definição no PT

Deputado estadual João Paulo (PT) voltou a defender a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contar com dois palanques em Pernambuco nas eleições de 2026, em meio às discussões internas do partido sobre alianças no estado.

O debate, que não é novo, ganhou força diante das mudanças no cenário político local, disse o ex-prefeito do Recife, em entrevista à Rádio Folha. Segundo ele, o PT avalia, entre as alternativas, apoiar a governadora Raquel Lyra (PSD), mesmo com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), sendo apontado como potencial candidato ao Governo do Estado.

O partido está pensando, sim, na possibilidade de deixar o PSB e apoiar a governadora Raquel Lyra. Isso não é uma decisão tomada, é uma avaliação política. Hoje, o cenário que eu vejo é de dois palanques, e os dois apoiando o presidente Lula”, declarou.

João Paulo ponderou que uma eventual aproximação com a governadora não implicaria, necessariamente, alinhamento formal em nível nacional, mas avaliou que Raquel Lyra mantém relação institucional com o governo federal.

Mesmo que ela venha a apoiar outro candidato a presidente da República, eu não acredito que ela faça uma linha de oposição ao governo do presidente Lula”, afirmou, ao citar gestos recentes de diálogo com o Planalto, como aconteceu durante agenda na Refinaria Abreu e Lima, no Complexo de Suape, em dezembro. Na oportunidade, Raquel agradeceu a Lula pelos investimentos que possibilitaram a continuidade de obras até então paralisadas e por não desistir de Pernambuco. "Graças a Deus o senhor é pernambucano", afirmou.

Raquel Lula

Para o deputado, antecipar definições pode limitar articulações futuras. “Uma decisão agora poderia complicar a situação política. A política exige tempo e leitura da conjuntura”, disse.

Reeleição de Humberto Costa

O parlamentar também comentou o cenário para o Senado e voltou a defender a reeleição do senador Humberto Costa (PT). Na avaliação de João Paulo, uma eventual composição com apoio da governadora fortaleceria o projeto nacional do partido. “Humberto é um nome forte, experiente, e seria importante para ele ter o apoio da governadora”, disse.

A disputa ao Senado em Pernambuco reúne diversos nomes, principalmente numa provável chapa com João Campos, que traz, além de Humberto Costa, a ex-deputada Marília Arraes (Solidariedade), o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e o ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos).

Já na chapa de Raquel Lyra, o senador Fernando Dueire (MDB), que deve buscar a reeleição e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) são os cotados. Além de Humberto, a depender da formação da chapa.

Montagem de duas fotos, à esquerda Raquel Lyra e Lula seguram as mãos, à direita João Campos e Lula estão lado a lado, em ambos os casos todos sorriem

Divisões internas no PT

João Paulo reconheceu que o PT pernambucano permanece dividido e que, mesmo diante de duas candidaturas ao Governo do Estado, dificilmente haverá unificação total da base.

Mesmo havendo duas candidaturas, o PT não vai levar 100% da sua base para uma única candidatura. Isso já aconteceu antes e pode voltar a acontecer”, afirmou.

Ao final, o deputado ressaltou que sua posição reflete uma análise do momento político, sem definição fechada sobre alianças. “Não estamos fechando portas. Estamos avaliando o cenário. E, hoje, a possibilidade de dois palanques em Pernambuco é real e precisa ser tratada com maturidade política”, concluiu.