Cynara Maíra | Publicado em 09/02/2026, às 11h17 - Atualizado às 12h00
Na manhã desta segunda-feira (09), o prefeito do Recife, João Campos (PSB) anunciou que a Prefeitura fará um concurso público para Guarda Civil Municipal do Recife (GCMR). A gestão prevê a abertura imediata de 400 vagas para o cargo na cidade.
A Prefeitura da Cidade do Recife (PCR) deve divulgar edital do certame no início do segundo semestre de 2026, com provas no final do ano.
Durante o anúncio, João Campos falou sobre a necessidade de recompor o efetivo e ampliar as ações de segurança no município.
"Isso [o novo concurso] nos permite ampliar o trabalho da segurança municipal e avançar no processo de armamento gradual da corporação, que já conta com turmas em formação e treinamento permanente”, disse o prefeito.
Além do aumento do efetivo, João Campos iniciou o armamento da Guarda Municipal na cidade, a única capital do país sem guarda armada até então.
Apesar de ceder às pressões sobre o tema, o prefeito do Recife afirmou que o armamento não seria a única iniciativa da gestão para ampliar a segurança e que todo processo ocorrerá com responsabilidade e "técnica".
"Eu não acho que arma é a grande solução para segurança, não. Tanto é que a gente vai fazer isso de forma pontual e gradual com sistemas de controle, implementando o bodycam, sistemas de treinamento. Então, o primeiro passo é o treinamento para os guardas que vão passar a ter, que começaram pelo GTO, que é o Grupo Tático Operacional da guarda", afirmou.
O início do treinamento da Guarda Municipal para uso de armamento letal começou em 19 de janeiro. Os primeiros grupos a saírem com armas devem estar nas ruas em março. Exames psicológicos credenciados pela Polícia Federal para os agentes já começaram em outubro de 2025.
A tendência de maior armamento dos guardas municipais ocorre com mais força apartir da nova Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, de 2018, e o novo Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) que prevê a unificação de órgãos e uma maior presença dos municípios na atuação de combate à violência.
A partir dessas alterações, os municípios precisam montar planos locais de segurança alinhados ao Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social e coordenar suas guardas municipais às polícias estaduais e federais.
O Recife também foi a primeira capital a aderir ao Programa Município Mais Seguro, do Governo Federal. A cidade recebeu 1.165 armamentos não letais (eletrochoques e sprays), junto a cursos de uso da força e policiamento comunitário para agentes da GCMR. Além de ferramentas, a gestão também se comprometeu com o Programa Escuta SUSP, com foco na saúde mental dos guardas municipais.
Atualmente, a guarda municipal têm 1.632 agentes na ativa.
Segundo a gestão socialista, a reestruturação da guarda municipal seguirá o conceito de guarda comunitária, com foco em proximidade com a comunidade e o território.
Esse modelo de atuação já começou a implementação no Recife Antigo. Todos os agentes armados usarão bodycams, com armas devolvidas ao fim do expediente.
De acordo com o livro e levantamento "Brasil no Espelho" desenvolvido pelo Instituto Quaest e Felipe Nunes, 22% da população brasileira tem como maior preocupação temas vinculados com a Segurança.
Como uma gestão que rejeitou o armamento da Guarda Municipal ao longo do primeiro mandato, João Campos coloca diversas contrapartidas no armamento, como a manutenção do investimento no combate à violência através de ações de Cidadania, como o Compaz e ações de infraestrutura.
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