Plantão Jamildo.com | Publicado em 14/01/2026, às 15h50
Álvaro Porto (PSDB) voltou a criticar a governadora Raquel Lyra (PSD) na área de segurança pública, nesta quarta-feira (14). Segundo ele, o aumento dos casos de feminicídio em Pernambuco a falhas estruturais das políticas adotadas pelo governo estadual. Dados oficiais do governo estadual indicam que Pernambuco registrou 88 feminicídios em 2025, maior número dos últimos oito anos e alta de 15,8% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 76 vítimas. Para Porto, o crescimento ocorre em um cenário de fragilidade institucional.
“Este crescimento acontece a partir de um contexto de inoperância e ineficiência que vem sendo denunciado pela Alepe há anos”, afirmou o Presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco. Segundo o parlamentar, apenas em 2025 ele realizou quatro pronunciamentos cobrando melhores condições de trabalho para os policiais, ampliação da rede de atendimento e maior prioridade às políticas de proteção às mulheres.
Porto destacou que Pernambuco possui 184 municípios, mas conta com apenas 15 Delegacias da Mulher, das quais somente sete funcionam em regime de 24 horas. “A estrutura posta em funcionamento pelo governo confirma e colabora para a perpetuação da ineficácia”, disse.
O presidente da Alepe ressaltou que a limitação no funcionamento das delegacias descumpre a Lei Federal nº 14.541/2023, que determina atendimento ininterrupto nas unidades especializadas. “A inexistência de plantão contínuo gera demora no atendimento, fragilidade na concessão de medidas protetivas e subnotificação de crimes graves”, afirmou.
Porto também citou levantamentos do Instituto Fogo Cruzado que, em agosto de 2025, já apontavam Pernambuco como o estado com maior número de feminicídios e tentativas com uso de arma de fogo. Entre janeiro e agosto daquele ano, foram registrados 60 casos, aumento de 20% em relação ao mesmo período de 2024. Em outubro, entidades sociais denunciaram média mensal de 3.450 registros de violência doméstica e familiar, o equivalente a 115 ocorrências por dia.
No final de 2025, durante entrevistas, a governadora Raquel Lyra (PSD) reconheceu a gravidade do cenário e afirmou que o enfrentamento ao feminicídio é prioridade da gestão. A chefe do Executivo estadual citou a cultura machista como fator estrutural da violência e apresentou ações em curso.
Entre as medidas, Raquel destacou o funcionamento 24 horas das Delegacias da Mulher na Região Metropolitana do Recife, em Caruaru e em Petrolina, além da presença da Patrulha Maria da Penha em todas as organizações militares do estado.
“Nós qualificamos todo o nosso pessoal para o acolhimento das mulheres vítimas de violência e distribuímos mais de 1.500 BIPs para que elas possam acionar ajuda de forma mais rápida”, afirmou.
Segundo a governadora, os casos de feminicídio são acompanhados diariamente, com reuniões semanais envolvendo o Poder Judiciário e o Ministério Público. Ela informou que cerca de 98% dos crimes têm autoria identificada e que os julgamentos ocorrem, em média, em até um ano.
“Isso é um indicador positivo no sistema judiciário brasileiro. Temos homicídios com mais de 11 anos sem julgamento, e no feminicídio estamos reduzindo prazos para garantir punição”, declarou.