Simepe e instituições debatem a interferência das seguradoras de saúde na autonomia médica

Redação Jamildo.com | Publicado em 09/02/2026, às 17h40

O objetivo é avançar na construção de soluções institucionais que assegurem os direitos dos pacientes e estabeleçam limites claros à atuação das operadoras frente às prerrogativas dos profissionais de medicina. - Foto: Divulgação
COMPARTILHE:

Representantes de órgãos de controle, defesa do consumidor e entidades de classe reuniram-se, na tarde da quinta-feira (5), para discutir a interferência das seguradoras de saúde na relação médico-paciente.

O encontro interinstitucional, realizado na sede do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), contou com a participação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Defensoria Pública (DPPE), OAB-PE, Procon-PE, Cremepe e Aduseps.

A pauta central do debate foi a crescente ingerência administrativa e financeira das operadoras sobre as condutas clínicas. De acordo com as entidades presentes, tais práticas comprometem a autonomia profissional e podem impactar diretamente a qualidade da assistência prestada aos beneficiários.

A discussão visa assegurar que as decisões técnicas e científicas prevaleçam sobre critérios estritamente comerciais.

Durante a reunião, as instituições convergiram para o entendimento de que a preservação da ética médica é um pilar fundamental da segurança do paciente. Para os órgãos de defesa do consumidor e conselhos profissionais, a garantia da autonomia técnica é indissociável do cumprimento dos direitos previstos no Código de Defesa do Consumidor e nas normas que regem a saúde suplementar no Brasil.

A presidente do Simepe, Carol Tabosa, destacou que a iniciativa busca salvaguardar a sociedade de decisões que priorizem a redução de custos em detrimento do cuidado individualizado.

Segundo a gestora, a manutenção de uma medicina baseada em evidências é essencial para que o ato médico seja respeitado e a integridade da assistência à saúde no Estado seja preservada.

Quando a autonomia médica é desrespeitada por interesses administrativos ou financeiros, quem mais sofre é o paciente. Nosso compromisso é com uma medicina ética, baseada na ciência e no cuidado individualizado. Defender o ato médico é defender vidas”, afirmou Carol.

Como encaminhamento prático, ficou definida a realização de uma nova reunião no dia 26 de fevereiro, na sede do MPPE, com a convocação das seguradoras de saúde. O objetivo é avançar na construção de soluções institucionais que assegurem os direitos dos pacientes e estabeleçam limites claros à atuação das operadoras frente às prerrogativas dos profissionais de medicina.

Simepe Carol Tabosa Planos de Saúde

Leia também

Após STF trancar inquérito, MPPE diz que aguarda notificação para entender razões para suspensão de investigação da PCR


Simepe retoma protagonismo e quebra jejum de uma década em negociações


Defesa dos médicos: Carol Tabosa diz que fiscalizações devem ter propósito e eficácia, sem sensacionalismo