Após deputados de oposição, TCE também divulga críticas contra gestão do Hospital Otávio de Freitas

Jamildo Melo | Publicado em 03/06/2026, às 08h34 - Atualizado às 08h45

Raquel Lyra, Priscila Krause e Zilda Cavalcanti, em inauguração da requalificação do Bloco Cirúrgico do Hospital Otávio de Freitas - Yacy Ribeiro/SECOM
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O Tribunal de Contas do Estado (TCE) divulgou nesta terça-feira (2) o resultado de uma auditoria para avaliar os fatores que impactam a produção cirúrgica do Hospital Otávio de Freitas, unidade vinculada à Secretaria de Saúde de Pernambuco. O relator da auditoria foi o conselheiro Marcos Loreto.

" (Há...) O expressivo déficit de profissionais médicos nas especialidades de Urologia e Cirurgia Geral (tanto na emergência quanto nas linhas eletivas), somado à carência na equipe de enfermagem", apontou o relator, no voto.

O relatório do TCE vem a público dias depois de deputados estaduais de oposição divulgarem críticas contra a governadora Raquel Lyra (PSD), pela gestão do mesmo hospital da rede estadual.

A fiscalização do TCE, focada no primeiro semestre de 2025, analisou a capacidade do centro cirúrgico com atenção especial aos indicadores de estrutura, processo e resultado referentes às cirurgias eletivas.

O trabalho do TCE revelou achados que supostamente afetam diretamente o desempenho da unidade e o atendimento à população.

Entre as principais supostas irregularidades apontadas pelo órgão de controle, destaca-se a suposta inadequação da estrutura física do bloco cirúrgico.

Os auditores do TCE identificaram o descascamento do revestimento vinílico nas paredes e na junção com o piso das salas operatórias, o que, segundo o TCE, configura alto risco sanitário de proliferação microbiana e descumpre exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Além da estrutura física, a auditoria constatou a presença de inúmeros equipamentos supostamente inoperantes dispostos nos corredores e a falta de equipamentos de reserva para substituição imediata, o que, segundo o TCE, compromete a segurança operacional e a continuidade dos procedimentos em caso de falhas.

Outro ponto crítico levantado pelo TCE foi o déficit de profissionais atuando no centro cirúrgico do hospital.

O relatório do TCE apontou a carência de profissionais médicos nas especialidades de Urologia e Cirurgia Geral, bem como uma expressiva defasagem na equipe de enfermagem.

A situação funcional foi agravada, segundo o TCE, pelo corte de plantões extraordinários determinado no final de 2025, medida que restringiu a capacidade de expansão da produção eletiva e impactou negativamente o atendimento à demanda não emergencial do Estado.

O julgamento unânime do TCE emitiu determinações de cumprimento obrigatório para que a Secretaria recomponha a equipe de enfermagem e para que a diretoria do Hospital execute as obras de adequação física e implemente medidas rigorosas para reduzir os atrasos e cancelamentos.

O resultado do julgamento já foi publicado pelo TCE no Diário Oficial. O Governo do Estado ainda pode recorrer, no próprio TCE, da decisão.

O site Jamildo.com sempre abre espaço para contraditório ou qualquer manifestação adicional, caso o Governo do Estado queira apresentar informações sobre o julgamento do TCE.

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