Jamildo Melo | Publicado em 27/07/2026, às 15h04 - Atualizado às 15h16
O Partido Novo oficializou, nesta segunda-feira (27), a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República, durante convenção realizada em Brasília. O partido ainda não anunciou o nome que irá compor a vice na chapa.
Em seu discurso, Zema destacou propostas para a área econômica, fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que, se eleito, concederá indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelos atos relacionados ao 8 de janeiro.
"Quero que o Brasil resolva injustiças cometidas em relação aos atos do 8 de Janeiro. Temos pessoas que não sabiam o que estavam fazendo e estão detidas. Se houve uma tentativa de golpe, que haja um julgamento imparcial, e não um julgamento político. Precisamos passar uma borracha e olhar para o futuro. No que depender de mim, será feito [o indulto a Bolsonaro]", declarou.
A convenção confirmou a candidatura de Zema por aclamação. O presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, informou que a legenda também lançará cerca de 150 candidatos em todo o país, principalmente para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.
O Novo ainda busca um nome para compor a chapa presidencial. No domingo (26), Zema citou a possibilidade de convidar o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa para a vice-presidência, mas não houve confirmação.
Durante a convenção, Eduardo Ribeiro afirmou que a gestão de Zema em Minas Gerais credencia o ex-governador para disputar o Palácio do Planalto e criticou o PT ao defender o histórico administrativo do pré-candidato.
Na pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (24), Zema aparece com 3% das intenções de voto. No mesmo levantamento, Ronaldo Caiado (PSD) registra 4%, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 32%.
Questionado sobre o desempenho nas pesquisas, Zema afirmou que acredita em crescimento durante a campanha.
"Em 2018 eu tinha 0% de conhecimento e venci a eleição. O brasileiro só entra no modo eleição mais adiante", disse o ex-governador, em referência ao ano de sua primeira eleição em Minas Gerais.
Sem citar nominalmente o senador Flávio Bolsonaro, Zema voltou a mencionar o caso envolvendo o Banco Master. O ex-governador afirmou que nunca teve relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e criticou políticos que, segundo ele, abriram espaço ao empresário em Brasília.
O candidato também defendeu mudanças no funcionamento do STF. Entre as propostas apresentadas estão idade mínima de 60 anos para indicação de ministros, mandato limitado a 15 anos, escolha por lista tríplice elaborada pelo Senado, OAB e Ministério Público e o fim das decisões monocráticas em matérias aprovadas pelo Congresso Nacional.
Além disso, voltou a defender o impeachment dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e criticou a atuação do ministro Gilmar Mendes.
Na área econômica, Zema reafirmou a defesa de um Estado menor, com privatização de estatais, revisão de benefícios sociais e reformas administrativa e previdenciária, repetindo o que já havia afirmado ao site Jamildo.com, em visita ao Estado.
Na segurança pública, propôs classificar facções criminosas como organizações terroristas, ampliar o encarceramento e construir um presídio de grande porte na Amazônia.
Pela primeira vez em uma eleição nacional, o Novo utilizará recursos do fundo eleitoral para financiar sua campanha presidencial. Segundo Eduardo Ribeiro, a legenda pretende destinar parte dos cerca de R$ 80 milhões disponíveis para a candidatura de Romeu Zema.
"Seria muito difícil disputar em igualdade de condições sem utilizar os mesmos instrumentos disponíveis aos demais partidos", afirmou o dirigente.
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