Cynara Maíra | Publicado em 23/03/2026, às 10h52 - Atualizado às 13h05
Na primeira sessão da Câmara do Recife após o prefeito João Campos (PSB) anunciar sua pré-candidatura ao Governo de Pernambuco na eleição de 2026, o vereador Júnior de Cleto (PSB) resolveu ler um poema em exaltação ao correligionário.
A homenagem ocorreu nesta segunda-feira (23) com o plenário lotado de servidores municipais. O grupo de trabalhadores ocupava as galerias para cobrar a aprovação do projeto de reajuste salarial enviado pelo Executivo.
Em seu discurso, Júnior de Cleto creditou ao prefeito a construção de creches, unidades de saúde e pontes. O parlamentar finalizou a declamação projetando a eleição estadual.
O vereador Chico Kiko (PSB) seguiu a mesma linha de defesa da gestão. Ele criticou o governo de Raquel Lyra (PSD) e afirmou que a pré-candidatura de João Campos representa a grande transformação do Estado.
Veja o poema de Júnior de Cleto:
No ritmo das ruas do Recife a brilhar surge o nome que o povo aprende a cantar.
Entre obras e sonhos que ganham o chão ecoa a forte marca de João.
João dobrou as vagas de creche, deixando seu marco de esperança.
Na creche a infância já não fica às voltas, mas risos pequenos, futuro a crescer.
Sementes plantadas para florescer.
João levantou paredes de cuidado e luz. O Hospital da Criança que a esperança conduz.
Onde a vida recebe tratamento com atenção e o amanhã bate forte no coração.
João fez pontes que ligam mais que lugar.
Jaime Gusmão que vem a aproximar Poço da Panela a Caxangá.
Tem a ponte Júlia Santiago, que levará o nome da primeira vereadora eleita neste lugar, e vai juntar Imbiribeira a Jiquiá.
Sem esquecer a mais nova que ligará Cordeiro a Casa Forte para melhorar aquele lugar.
E nas comunidades com força e ação, as USF+, levando saúde à mão.
Mais perto do povo, nas moradias populares, cuidando de quem precisa cuidar. Na Casa Sem Barreira para melhorar.
Nas encostas da periferia, proteção, segurando a terra, guardando o chão.
Onde antes havia medo e aflição, hoje brota mais segurança e atenção.
E o CRAS de portas abertas a acolher quem na rua luta para sobreviver.
Com dignidade, escuta e direção, João devolve a esperança ao coração.
João trabalhando firme e forte, com visão sem fim, por um novo centro que inicia o sim.
O Recife mais justo, vivo e plural, onde cada canto tenha um valor igual.
Assim vai seguindo com obra e visão, desenhando um novo Pernambuco no chão.
Entre concreto, cuidado e calor, se constrói um futuro com traço e valor.
João Campos, o nosso futuro governador.
A atitude da base aliada gerou reações da oposição. O vereador Eduardo Moura (Novo) ironizou a leitura dos versos diante de trabalhadores que reclamam da falta de diálogo da prefeitura sobre os salários da categoria.
"Olha, eu admiro a coragem de subir aqui nessa tribuna, com essa galeria cheia, e fazer poema para o prefeito. É muito amor", ironizou Moura.
O oposicionista questionou a narrativa de prosperidade vendida pelo PSB, responsabilizando João Campos por problemas na educação e apontou uma suposta piora no trânsito da cidade.
O vereador Thiago Medina (PL) também utilizou o poema para atacar o governo. Ele interagiu diretamente com os servidores nas galerias, perguntando em voz alta se o texto do poema, que dizia que todas as cidades sonham com um gestor como João Campos, era verdade. A maioria das pessoas gritou que "não".
"O dinheiro que ele não quer dar para vocês, ele está pagando em bike elétrica de empresa recém-criada", acusou Medina, inflamando a plateia de servidores.
O líder governista, Rinaldo Júnior (PSB), tentou acalmar o plenário e focou no projeto de reajuste salarial. Ele afirmou que uma comissão de vereadores da base negocia com as secretarias de Finanças e Administração para garantir ganhos aos trabalhadores.
"A gente precisa exaurir todo o tempo que for necessário para que a vitória de todos os servidores seja concretizada com a votação desse projeto", declarou Rinaldo.
Sobre as jogadas de Thiago e Eduardo com a plateia, o socialista pediu que os servidores observem quais políticos estão na Câmara apenas para capitalizar votos em cima do movimento sindical.
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