Jamildo Melo | Publicado em 07/10/2026, às 12h18
As pesquisas eleitorais divulgadas na reta final da campanha acertaram o principal movimento das urnas em Pernambuco: a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno e a eleição de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) para o Senado.
Mas uma comparação entre os levantamentos e o resultado oficial de 4 de outubro mostra diferenças relevantes no grau de precisão.
Na disputa pelo Governo, o Instituto Simplex foi o que chegou mais perto do placar efetivamente registrado nas urnas entre Raquel e João Campos (PSB).
Com 100% das seções totalizadas, Raquel Lyra terminou a eleição com 53,27% dos votos válidos, ou 2.805.438 votos.
João Campos recebeu 44,82%, equivalentes a 2.360.469 votos.
Na pesquisa Simplex/CBN divulgada na véspera da eleição, Raquel aparecia com 52,6% dos votos válidos, contra 44,6% de João.
A diferença entre pesquisa e urna foi, portanto, de apenas 0,67 ponto percentual para Raquel e 0,22 ponto para João.
A pesquisa também indicava a possibilidade concreta de encerramento da eleição no primeiro turno, já que Raquel aparecia acima dos 50% dos votos válidos.
A Genial/Quaest divulgada em 3 de outubro colocou Raquel com 52% dos votos válidos e João Campos com 47%.
A pesquisa, portanto, também captou a vitória da governadora no primeiro turno.
Comparada ao resultado das urnas, a Quaest ficou 1,27 ponto abaixo do resultado de Raquel e 2,18 pontos acima do percentual obtido por João.
O levantamento entrevistou 2.652 eleitores nos dias 2 e 3 de outubro e tinha margem de erro de dois pontos percentuais.
O Datafolha chegou à reta final da eleição apontando Raquel Lyra na liderança e consolidando a tendência de vantagem da governadora.
A comparação dos levantamentos da última semana com o resultado final mostra que a eleição terminou com uma vantagem maior do que alguns levantamentos chegaram a registrar durante a campanha.
Nas urnas, a distância entre Raquel e João foi de 8,45 pontos percentuais.
O dado é politicamente relevante porque a campanha passou boa parte do período eleitoral marcada por uma disputa mais apertada entre a governadora e o ex-prefeito do Recife.
Na eleição para o Senado, o acerto principal também ocorreu: Humberto Costa e Marília Arraes conquistaram as duas vagas.
Mas houve uma mudança importante em relação à fotografia das pesquisas.
O resultado oficial foi:
Humberto Costa (PT): 27,19% — 2.531.389 votos
Marília Arraes (PDT): 24,97% — 2.325.127 votos
Mendonça Filho (PL): 18,57% — 1.728.587 votos
Eduardo da Fonte (PP): 13,84% — 1.289.058 votos
Carlos Sant'Anna (Novo): 7,50% — 698.316 votos
O Datafolha divulgado na véspera apontava Marília e Humberto empatados com 29% dos votos válidos. Mendonça aparecia com 16% e Eduardo da Fonte com 14%.
A Quaest, por sua vez, colocava Marília com 30%, Humberto com 27% e Mendonça com 18%.
As duas pesquisas, portanto, identificaram corretamente os candidatos que conquistariam as vagas. Mas não anteciparam que Humberto terminaria a eleição à frente de Marília.
Humberto abriu uma vantagem de 206.262 votos sobre a candidata do PDT.
Outro dado que merece atenção está abaixo dos quatro candidatos que dominaram a cobertura da disputa pelo Senado.
Carlos Sant'Anna (Novo) terminou com 7,50%, ligeiramente à frente de Túlio Gadêlha, que ficou com 7,22%.
O Datafolha da véspera atribuía 3% a Carlos Sant'Anna e 6% a Túlio nos votos válidos. Isso significa que o candidato do Novo terminou 4,5 pontos acima da estimativa, enquanto Túlio ficou próximo de sua marca.
Esse movimento não alterou a definição das duas vagas, mas foi uma das diferenças mais expressivas entre a fotografia da véspera e o resultado das urnas.
A comparação não permite concluir simplesmente que uma pesquisa "acertou" e outra "errou". Pesquisas são fotografias do eleitorado no momento das entrevistas, têm metodologias, amostras e margens de erro diferentes e não funcionam como previsão matemática do resultado.
Ainda assim, olhando exclusivamente a proximidade numérica entre os levantamentos finais e as urnas, a Simplex apresentou a menor diferença no confronto entre Raquel Lyra e João Campos.
Datafolha e Quaest também captaram os dois movimentos políticos decisivos da eleição pernambucana: Raquel à frente e com possibilidade de vitória no primeiro turno; Humberto Costa e Marília Arraes ocupando as duas primeiras posições para o Senado.
As urnas acrescentaram dois elementos que merecem registro: Humberto ultrapassou Marília e terminou como o senador mais votado de Pernambuco, enquanto Carlos Sant'Anna apresentou desempenho significativamente superior ao indicado pelo Datafolha na véspera.
São diferenças que não mudaram os vencedores previstos pelas pesquisas, mas ajudam a mostrar onde o comportamento final do eleitor escapou das últimas fotografias da campanha, como mostrou o site Jamildo.com.
Pesquisa Simplex: Raquel Lyra tem 52,6% dos votos válidos; João fica com 44,6%
Pesquisa Datafolha: Marília Arraes e Humberto Costa têm 29% e lideram com folga
Pesquisa Quaest: Raquel Lyra tem 47%, João Campos fica com 43% no Governo de Pernambuco