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Humberto Costa e Marília Arraes são eleitos senadores de Pernambuco na eleição de 2026

Cynara Maíra | Publicado em 04/10/2026, às 21h36

- Otávio Gaudêncio/Jamildo.com
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Com 99,6% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considera matematicamente eleitos o senador Humberto Costa (PT) e a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT). A dupla governista da Frente Popular conquistou as duas vagas em disputa para o Senado Federal por Pernambuco.

O resultado da apuração confirmou a liderança de Humberto Costa com 26,99% dos votos válidos. O segundo colocado, Marília Arraes, registrou 25% dos votos válidos.

Confira a votação dos candidatos ao Senado:

Disputa pelas duas vagas ao Senado em Pernambuco

A disputa ao Senado em Pernambuco em 2026 começou desde 2025, com uma competição interna sobre quem poderia concorrer ao cargo nas chapas de seus aliados. 

O grupo de João Campos, tinha: 

Após especulações de que Silvinho e Marília teriam conversado com Raquel para compor sua chapa, João Campos anunciou com antecedência que sua chapa ao Senado seria Humberto e Marília, com o irmão de Silvio, Carlos Costa (Republicanos), como vice. 

Apenas Miguel Coelho saiu antes da decisão, preferindo retornar ao lado da governadora, quem já tinha apoiado no segundo turno de 2022. Os Coelho migraram para o lado de João Campos em 2024, ao não se sentirem contemplados no governo de Raquel. 

Para o lado de Raquel Lyra, havia algumas especulações, mas ao fim a disputa se concentrou em:

Fora das coligações principais, também houve um impasse no Partido Liberal (PL), sobre quem disputaria o Senado. O principal atrito foi entre o presidente da legenda no estado, Anderson Ferreira, e o ex-ministro do Turismo de Bolsonaro, Gilson Machado Neto. Ambos buscavam a disputa ao Senado, Gilson apoiado na ala ideológica do bolsonarismo, Anderson no conservadorismo mais religioso e alinhado ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. 

Ao fim, nenhum dos dois assumiu a vaga do PL. Após ser retirado da presidência do PL Recife e diversos atritos com Anderson, Gilson migrou para o Podemos, onde não teria recursos para uma disputa ao Senado, preferindo ser o puxador de votos da legenda para a Câmara dos Deputados. 

Com a ruptura do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros, que saiu do PL para o PSD de Raquel Lyra, lançando a primeira-dama Andréa Medeiros (PSD) para deputada estadual, Anderson também precisou recalcular a rota. Para competir com Andréa, o atual deputado federal André Ferreira (PL) precisou disputar a Alepe, enquanto Anderson cobrirá a vaga da família na Câmara. 

A ideia é que André concorra para prefeito de Jaboatão dos Guararapes em 2028 e precise medir forças com Andréa. 

Com o impasse, o PL cogitou lançar o vereador Silvio Nascimento, que era do grupo de Gilson Machado, mas se colocou ao lado de Anderson após um impasse sobre a vinda de Flávio Bolsonaro para Pernambuco. 

Já que a decisão por Silvio ocorreu próximo do fim da pré-campanha, articulações sugeriram o nome do deputado Mendonça Filho, que migrou do União Brasil para o PL no período em que Miguel Coelho estava ao lado de João Campos. Aliado e fiel à governadora Raquel Lyra, Mendonça manteve o endosso ao nome da gestora, mesmo no partido que se considera independente na disputa. 

O apoio de Mendonça para Raquel também gerou atritos com Eduardo da Fonte e Túlio Gadelha, a chapa oficial da gestora. Os atritos maiores foram com Dudu, que busca o eleitorado conservador e evangélico, assim como Mendonça, para conquistar o segundo voto. A ideia seria apostar na semelhança ideológica de Marília, Humberto e Túlio para conseguir pulverizar votos e se eleger como nome mais forte na direita. 

Sobre Marília Arraes

Advogada e presidente estadual do PDT, Marília Arraes tem 42 anos e nasceu no Recife. Neta do ex-governador Miguel Arraes, graduou-se na Faculdade de Direito do Recife (FDR/UFPE), local onde começou a militância política no movimento estudantil. Filiou-se pela primeira vez a uma legenda em 2005, pelo PSB.

No Executivo, foi secretária estadual de Juventude e Emprego entre 2007 e 2008, no governo Eduardo Campos. Na gestão Geraldo Julio no Recife, assumiu a Secretaria de Juventude e Qualificação Profissional entre 2013 e 2014.

A atuação no Legislativo teve início na Câmara Municipal do Recife com a eleição para vereadora em 2008, reeleita em 2012. Presidiu a Comissão de Legislação e Justiça da Casa em 2011, sendo a primeira mulher a comandar o colegiado. Em 2014, rompeu com o PSB ao defender a reeleição de Dilma Rousseff (PT). Entrou no PT em 2016 e obteve o terceiro mandato parlamentar na capital.

Em 2018, elegeu-se deputada federal com 193.108 votos. Na Câmara dos Deputados, atuou como 2ª secretária da Mesa Diretora de 2021 a 2022 e assinou a proposta original da Lei Federal nº 14.214/2021, sobre distribuição de absorventes higiênicos pelo SUS.

Concorreu à Prefeitura do Recife em 2020 e chegou ao segundo turno contra João Campos, com 43,73% dos votos válidos. Em 2022, filiou-se ao Solidariedade para concorrer ao Governo de Pernambuco. Liderou a apuração na primeira fase e somou 2.064.079 votos no segundo turno, sendo derrotada por Raquel Lyra (PSD). Concorreu ao Senado em 2026 pelo PDT com o número 123.

Entre as propostas apresentadas na campanha, focou na defesa da PEC pelo fim da escala de trabalho 6x1, no tratamento integral de endometriose pelo SUS, na quebra de patente da tirzepatida (Mounjaro) para distribuição pública, funcionamento ininterrupto de todas as Delegacias da Mulher e revisão de regras do Simples Nacional.

Sobre Humberto Costa

Médico, jornalista e político com filiação ao Partido dos Trabalhadores desde 1980, Humberto Costa tem 69 anos. Nasceu em Campinas (SP) e construiu a trajetória profissional e eleitoral em Pernambuco. É graduado em Medicina pela UFPE e em Jornalismo pela Unicap, com pós-graduações em Medicina Geral Comunitária, Clínica Médica e Psiquiatria. Começou na militância profissional no Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe).

Costa participou da fundação do diretório pernambucano do PT. Conquistou mandato de deputado estadual em 1990 e comandou a Comissão de Direitos Humanos da Alepe. Em 1994, chegou à Câmara dos Deputados. Foi eleito vereador do Recife em 2000 e se licenciou para gerir a Secretaria Municipal de Saúde na administração de João Paulo (PT).

No governo federal, atuou como ministro da Saúde no primeiro mandato do presidente Lula, período de lançamento do Samu, do programa Farmácia Popular e do Brasil Sorridente. Deixou o cargo em 2006 para disputar o governo estadual, terminando no primeiro turno com 25,14% dos votos. De 2007 a 2010, chefiou a Secretaria das Cidades de Pernambuco.

Em 2010, tornou-se o primeiro senador eleito pelo PT em Pernambuco, conquistando a reeleição em 2018 para o mandato até 2026. No Senado, atuou no grupo "G7" da CPI da Pandemia, comissões de saúde e fiscalização. Disputou este terceiro mandato na Casa Alta pelo PT com o número 130.

Na plataforma eleitoral de 2026, defendeu a conclusão do ramal pernambucano da Transnordestina, a implantação do Canal do Sertão, o fim da escala 6x1, ampliação da Farmácia Popular para realização de exames diagnósticos primários, regras restritivas contra impactos sociais das apostas eletrônicas e nova reforma do Judiciário contra conflitos de interesse.

 

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