Raquel Lyra faz acenos a Lula e ao PT e se alinha com posições da esquerda

Cynara Maíra | Publicado em 30/06/2026, às 08h18 - Atualizado às 08h58

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Ainda neutra na disputa nacional, a governadora Raquel Lyra (PSD) fez diversos gestos ao presidente Lula (PT) e aos petistas durante entrevista ao programa Frente a Frente, apresentado por Daniela Lima e Fernando Canzian, do Portal UOL. O veículo publicou o material na segunda-feira (29).

Raquel lembrou a independência que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, concedeu para a construção de alianças locais, apesar da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ao Palácio do Planalto.

"Quando eu entrei no PSD, o presidente Kassab me deu total liberdade para em Pernambuco construir o caminho que fosse mais importante para o nosso povo", explicou a gestora, ressaltando que o partido respeita a trajetória de Caiado, mas mantém a autonomia regional.

A política evitou falar de João Campos, esquivando-se dos questionamentos sobre o socialista, mas alfinetou ao citar sua presença digital e dizer que não faz qualquer coisa pelo "like". Ao avaliar as pesquisas de opinião na capital, onde o prefeito do Recife tem engajamento nas redes sociais, Raquel criticou a busca por repercussão superficial.

"Jamais eu vou buscar o like ou o caminho fácil. Eu vou buscar investimento estruturador", citou a governadora. Ela minimizou a pressão sobre a definição de adversários na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas: "A gente nem escolhe adversário numa eleição, nem fala sobre ele, a gente fala sobre o nosso trabalho".

Raquel fala da relação com Lula e nomes do PT

Raquel elogiou e se disse grata pelas parcerias administrativas com o presidente Lula como fundamentais para destravar obras de infraestrutura, citando os investimentos no programa Minha Casa Minha Vida, na Ferrovia Transnordestina e no Metrô do Recife.

Sobre o cenário político estadual, Raquel sinalizou que atrai quadros do partido do presidente para a sua base de sustentação. Ela reconheceu que o PT e o PSB tem uma aliança nacional, mas relembrou que alguns petistas apoiam sua reeleição. 

"O PT tem a condição de poder escolher qual o palanque que vai formar em Pernambuco, mas a gente tem pessoas que estão ao nosso lado e que estiveram ao longo dessa caminhada, inclusive prefeitos e deputados", citou.

Raquel Lyra critica envolvimento dos EUA no Brasil

Como ex-delegada da Polícia Federal, Raquel Lyra seguiu um alinhamento ao campo progressista em temas de segurança pública. A governadora rejeitou a agenda armamentista e se colocou distante de algumas pautas comuns  ao bolsonarismo.

"Eu sou absolutamente contra armar a população. Eu sou contra isso", garantiu a gestora.

A governadora também rechaçou indiretamente a posição do senador Flávio Bolsonaro (PL), que celebrou a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por autoridades dos Estados Unidos. Raquel defendeu o respeito estrito às instituições nacionais e à autonomia do país.

"Eu sou contra qualquer intervenção de um agente externo na soberania brasileira. Qualquer intervenção", cravou a governadora, indicando que aceitaria apenas apoio financeiro estrangeiro, sem ingerência militar ou jurídica.

Raquel Lyra cita machismo na política

Raquel também desabafou sobre as barreiras que enfrenta por comandar o estado em uma chapa exclusivamente feminina, ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD). A governadora criticou o uso de critérios desproporcionais para avaliar o seu trabalho em comparação com os antigos gestores homens.

"A régua com que me mediram foi uma régua muito diferente. Tentaram abreviar o meu mandato o tempo inteiro, ameaçando com impeachment e CPI", relatou.

Raquel relembrou ainda o impacto do machismo em ataques pessoais baseados em sua vida particular, mencionando o falecimento de seu marido em 2022. "O machismo é tão forte que o termo viúva já usaram contra mim até para xingamento", lamentou.

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