Plantão Jamildo.com | Publicado em 12/01/2026, às 18h32
“Nós vamos conseguir superar o Bolsonaro já nessas eleições”, a fala otimista é do pré-candidato à Presidência da República Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e filiado ao recém-criado partido Missão.
Na avaliação dele, a eventual candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) não representa um obstáculo competitivo no campo da direita. “O Flávio vai perder a eleição. Ele não tem nenhuma chance. O nome Bolsonaro está sendo usado apenas para manter esse público mobilizado. E aqui estou eu para para me apresentar para como sucessor”, disse, em entrevista ao PodJá - o podcast do Jamildo. Para Renan, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) perdeu capacidade de articulação política dentro do próprio campo ideológico.
Durante a conversa, o pré-candidato também direcionou críticas ao modelo político e econômico vigente, que, segundo ele, mantém a região Nordeste excessivamente dependente de transferências federais. Renan afirmou que sua pré-campanha tem buscado abordar o tema sem o que classificou como tratamento condescendente ao eleitorado local.
“A gente começou a falar dos problemas do Nordeste sem romantização e sem tratar o eleitor como um retardado”, declarou. Segundo ele, a escolha do Recife como ponto de partida da pré-candidatura tem caráter simbólico. “O despertar tem que vir daqui”, afirmou, ao defender o enfrentamento da polarização nacional. “É preciso tratar o Nordeste como prioridade, e não como um idiota”, completou.
A entrevista com Renan Santos vai ao ar no próximo sábado (17), às 14h, no canal do Jamildo Melo no YouTube. No programa, o pré-candidato apresentou os principais eixos de sua pré-candidatura, comentou o cenário eleitoral de 2026 e detalhou a estratégia para se posicionar como alternativa no campo da direita.
Renan Santos avaliou que, no campo da esquerda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem por conta da estrutura do Partido dos Trabalhadores. “O Lula, dado que o PT é muito mais organizado do que o bolsonarismo, consegue manter isso com mão firme. Neste instante, ele é o favorito”, declarou. Na avaliação dele, a fragmentação da direita abre espaço para o surgimento de uma nova liderança.
Durante a entrevista, Renan afirmou que sua meta inicial é se consolidar como terceira via nas pesquisas nacionais. “Minha obrigação agora é ficar em terceiro. Eu tenho que ultrapassar os governadores e mostrar viabilidade sem ser nem Lula, nem Bolsonaro”, disse, ao citar os governadores Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Ratinho Júnior (PSD), de Minas Gerais, Goiás e Paraná, respectivamente como concorrentes diretos nesse estágio da disputa.
Ele afirmou ainda que aposta em índices de rejeição mais baixos como diferencial competitivo. “Eu tenho uma rejeição muito menor que a do Flávio. Conforme eu fico conhecido, eu tenho muito mais chance de derrotar o Lula no segundo turno”, declarou.
Renan Santos destacou que sua pré-candidatura tem apresentado melhor desempenho entre eleitores mais jovens, especialmente da geração Z.
Segundo ele, levantamentos internos indicam crescimento nesse segmento. “Entre os mais jovens, eu apareço com cerca de 21% de intenção de voto. Quando o recorte é homens da geração Z, isso passa de 30%”, afirmou.
Na análise do pré-candidato, há uma mudança geracional em curso no eleitorado de direita. “Quanto mais jovem o eleitor, mais parecido conosco ele pensa. O bolsonarismo é um fenômeno muito mais forte entre eleitores mais velhos”, disse. Para Renan, esse movimento indica uma transição de liderança no campo conservador. “Isso mostra que o futuro é muito mais nosso do que deles”, completou.
Um dos pontos centrais da entrevista foi a avaliação de Renan Santos sobre o papel do Nordeste na dinâmica política nacional. O pré-candidato afirmou que a região recebe proporcionalmente mais recursos federais do que contribui para o pacto federativo, sem que isso se converta em melhoria consistente nos indicadores sociais.
“O Nordeste, proporcionalmente, recebe muito mais do que envia. Esse dinheiro acaba sendo utilizado pelas elites locais para roubar ou para sustentar projetos de poder”, afirmou.
Segundo ele, estados como Maranhão e Pará estariam entre os mais beneficiados pelo modelo atual. “Recebem muito, mas o desenvolvimento humano e o investimento não melhoram”, disse.
Renan também citou Pernambuco como exemplo de distorção no sistema. “Pernambuco paga a conta. Estados do Centro-Sul e do Centro-Oeste enviam mais recursos para a federação e recebem menos”, declarou. Para ele, esse desequilíbrio gera insatisfação em contribuintes de outras regiões. “Um catarinense tem toda a razão de ficar bravo ao ver seu dinheiro indo para estados que não mudam sua realidade”, afirmou.
Em uma das falas mais contundentes da entrevista, Renan Santos classificou o Nordeste como um entrave estrutural à política nacional. “Do ponto de vista político, o Nordeste é o maior problema político do Brasil”, afirmou. Ele associou a região à permanência de práticas patrimonialistas e a baixos indicadores de desenvolvimento.
Segundo o pré-candidato, grande parte dos municípios nordestinos depende diretamente de transferências públicas. “Você pega o mapa do Brasil por município e vê que, no Nordeste, a principal atividade econômica é ligada à administração pública. Pernambuco tem mais de 70% dos municípios nessa condição”, disse.
Renan defendeu que a superação desse modelo é fundamental para melhorar a qualidade da representação política em Brasília. “Se você muda a dinâmica política e social do Nordeste, você muda a qualidade das leis aprovadas no Brasil inteiro”, afirmou.
Apesar das críticas, Renan Santos afirmou que vê potencial eleitoral na região e disse que seus índices no Nordeste superam os registrados no Sudeste. “A região onde eu vou melhor nas pesquisas é o Nordeste”, declarou. Segundo ele, isso ocorre porque seu discurso foge do que classificou como abordagem condescendente.
“Eu não trato o eleitor nordestino como criança. O nordestino é tratado por todo mundo como alguém que só tem direitos. Eu trato como alguém que tem direitos e deveres e que erra também”, afirmou. Para Renan, essa postura tem gerado identificação. “As pessoas começaram a dizer: ‘esse cara está falando a real’”, disse.
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