Em Pernambuco, Renan Santos critica João Campos, defende pena de morte e bomba nuclear

Líder do MBL, Renan Santos foi ao Recife Antigo neste domingo e reuniu apoiadores. Político critica "oligarquia", defendeu pena de morte e bomba nuclear

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 12/01/2026, às 13h49 - Atualizado às 13h50

Renan Santos
Luiz Rebelato

O pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Missão, Renan Santos, escolheu o Recife para dar a largada em sua agenda nacional visando 2026.

No domingo (11), o líder do Movimento Brasil Livre (MBL) reuniu cerca de 300 apoiadores no Marco Zero, no Bairro do Recife.

O ato é o primeiro de um giro pelo Nordeste, região que a legenda define como prioritária para "quebrar a polarização" entre lulismo e bolsonarismo.

O político também foi entrevistado no PodJá- O Podcast do Jamildo, o episódio irá ao ar no próximo sábado (17). 

"Resolver o Nordeste é resolver o Brasil. A gente precisa fundir municípios. Em alguns lugares, dada a inexistência de classe política capaz, a gente precisa colocar interventores", afirmou Renan.

A proposta baseia-se no "Livro Amarelo", documento programático do partido. O pré-candidato argumenta que a administração pública em pequenas cidades serve apenas para manutenção de poder e compra de votos, sem entregar serviços básicos.

"Essa indústria da compra de voto tem que ser desmontada. O dinheiro é coletado ao redor do Brasil em atividades produtivas e é enviado para uma massa de administradores públicos improdutivos", disparou.

Segurança e polêmicas

A segurança pública foi outro eixo do discurso. Renan alertou para a expansão de facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) no Nordeste. Para combater o crime organizado, ele sugeriu endurecer  a legislação penal, defendendo a abertura do debate sobre prisão perpétua e pena de morte.

"Estou a favor de discutir a pena de morte. O que me dissuadiria a cometer um crime é a certeza de ser pego e penas duríssimas", argumentou.

Renan sugeriu que o Brasil, por suas dimensões e economia, deveria considerar o desenvolvimento de tecnologia atômica para dissuasão militar.

"O Brasil tem que pensar em ser uma nação grande. Para ser soberano, nós temos que ter capacidade de dissuadir qualquer tipo de invasão contra o nosso território", disse.

Estratégia voltada aos jovens

A aposta do Missão é no eleitorado jovem. Renan citou dados internos e pesquisas recentes que mostram seu crescimento entre a Geração Z (nascidos entre meados dos anos 90 e 2010), especialmente entre homens.

"Nos homens jovens da geração Z, a gente é muito forte já. O desafio nosso é fazer esse crescimento geracional", explicou, comparando o fenômeno ao que impulsionou candidaturas como a de Javier Milei na Argentina.

O evento no Marco Zero refletiu essa estratégia. Segundo relato de um dos participantes ao Jamildo.com, a mobilização contou com militantes que replicaram táticas de engajamento usadas em São Paulo. Após o ato simbólico com bandeiras, o pré-candidato interagiu com o público em um bar próximo para tirar dúvidas e conversar com apoiadores.

"Ele foi muito bem receptivo, tirou fotos com as 300 pessoas. Depois a galera ficou sentada lá no restaurante, ficou comendo, ele foi lá nas mesas para tirar dúvidas da galera. Depois do discurso ele abriu para perguntas", citou um dos participantes que conversou com o site.

Agenda em Pernambuco

A passagem por Pernambuco segue até o dia 15 de janeiro. A comitiva passará por mais de dez cidades da Região Metropolitana, Zona da Mata e Agreste, incluindo Jaboatão dos Guararapes, Ipojuca, Caruaru e Garanhuns.

O objetivo é ampliar a presença do partido recém-criado na região antes de seguir para o Rio Grande do Norte.