Otávio Gaudêncio | Publicado em 06/01/2026, às 11h46 - Atualizado às 13h02
Nesta terça-feira (06), o porta-voz do Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos, Ravina Shamdasani, condenou a invasão militar dos EUA contra a Venezuela.
"Isso envia um sinal de que poderosos podem fazer o que quiserem. Nenhum Estado deve ameaçar ou usar a força contra a integridade territorial, ou a independência política de outro Estado”, disse Shamdasani.
O pronunciamento ocorreu durante uma coletiva nesta terça-feira (6), em Genebra, na Suiça.
Shamdasani também direcionou seus apelos aos jornalistas: "A comunidade internacional precisa se unir em uma só voz para insistir nisso", declarou. Para ela, o futuro da Venezuela deve ser determinado pelos venezuelanos, e a instabilidade que vem com a militarização agrava a situação dos direitos humanos no país latino.
Na segunda-feira (5), o representante dos Estados Unidos na ONU, Michael Waltz, foi à reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU). Lá, ele justificou que a operação militar na Venezuela não se trata de estar em guerra ou ocupar o país, mas que a operação teve caráter jurídico.
“Não há guerra contra a Venezuela nem contra o seu povo. Não estamos ocupando um país. Tratou-se de uma operação de aplicação da lei em cumprimento de acusações legais que existem há décadas”, diz Waltz.
“Os Estados Unidos prenderam um narcotraficante que agora responderá a julgamento nos Estados Unidos, de acordo com o Estado de Direito, pelos crimes que cometeu contra o nosso povo ao longo de 15 anos”, complementa.
No lado latino, o embaixador da Venezuela na ONU, Samuel Moncada, classificou, também na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a operação dos EUA como "um ataque armado ilegítimo, sem qualquer justificativa legal".
Moncada também utilizou de sua fala para lembrar o que, para muitos, é o real motivo da ação militar estadunidense: "A Venezuela é vítima desses ataques em consequência de sua riqueza natural. Petróleo, energia, recursos estratégicos e a posição geopolítica do nosso país têm sido historicamente fatores de ganância e pressão externa", disse.
O embaixador venezuelano afirmou que as instituições venezuelanas estão funcionando normalmente e que o Estado exerce total controle sobre seu território.
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