Plantão Jamildo.com | Publicado em 09/02/2026, às 17h25
A líder do governo Raquel Lyra (PSD) na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), deputada Socorro Pimentel (União Brasil), ocupou a tribuna nesta segunda-feira (9) para rebater questionamentos sobre suposto recebimento indevido de salário como médica da rede estadual enquanto exercia mandato parlamentar. A deputada afirmou ser alvo de uma ação articulada para desgastar sua imagem e associou o episódio a ataques direcionados à governadora e à vice-governadora.
“Hoje eu subo a essa tribuna não apenas para prestar esclarecimentos, mas para defender algo que considero inegociável: a verdade, a minha honra e o respeito à política feita com seriedade”, iniciou a parlamentar.
O caso envolve registros no Portal da Transparência que indicavam pagamentos entre julho de 2024 e março de 2025. Segundo ofício da Secretaria de Administração do Estado, apresentado pela parlamentar, uma mudança no sistema de gestão de pessoas em julho de 2024 gerou inconsistências na visualização de bloqueios e suspensões, o que teria provocado interpretações equivocadas.
De acordo com o documento, Socorro recebeu apenas um pagamento, em agosto de 2024, no valor líquido de R$ 6.237,31. O valor foi posteriormente devolvido ao erário.
A deputada afirmou que está afastada da função de médica desde que assumiu o mandato, com ato publicado no Diário Oficial, e que optou pela remuneração do cargo eletivo, conforme prevê a legislação. “Não existe, não existiu e nem existirá qualquer indício de ilegalidade ou má-fé”, disse.
Ela relatou que identificou o pagamento ao organizar documentos para a declaração do Imposto de Renda. “Ao saber, fiz o que qualquer pessoa com responsabilidade faria: comuniquei aos órgãos competentes e devolvi integralmente o valor”, afirmou. Segundo a parlamentar, a restituição foi feita por meio de Documento de Arrecadação Estadual (DAE), em parcela única.
Durante o discurso, Socorro Pimentel associou o episódio a um ambiente político mais tenso na Casa e mencionou ataques à governadora Raquel Lyra e à vice-governadora Priscila Krause. “Estão fazendo isso com a governadora, fizeram com a vice-governadora e agora fazem comigo”, afirmou.
A líder do governo classificou a divulgação do caso como tentativa de transformar “um erro administrativo em escândalo político” e disse que os embates parlamentares têm se intensificado. “Exercemos aqui o confronto de ideias. Mas que não se confunda debate firme com tentativa de deslegitimar trajetórias”, declarou.
Socorro também informou que disponibilizou extratos bancários e documentos à presidência da Alepe e aos líderes partidários. Segundo ela, adotará medidas jurídicas cabíveis.
Na sexta-feira (6), a deputada já havia atribuído a repercussão do caso a motivação política da oposição e reforçado que levaria esclarecimentos à tribuna.
Médica concursada desde 2005, Socorro Pimentel afirmou que construiu sua trajetória profissional no Sertão e que não admite questionamentos sobre sua atuação. “Não vou baixar a cabeça nem permitir que apaguem minha história profissional”, disse.
Ao final, reafirmou compromisso com a transparência e com o mandato parlamentar. “Seguirei firme, falando pelo Sertão e pelos municípios de Pernambuco”, concluiu.
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