Decisão da Presidência da Alepe acolheu parecer da Procuradoria-Geral e apontou ausência de requisitos legais para abertura do processo
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 05/02/2026, às 20h17 - Atualizado às 20h19
Alepe arquivou pedido de impeachment contra a governadora Raquel Lyra
Decisão foi tomada pelo presidente da Casa com base em parecer jurídico
Assembleia afirmou que não houve análise do mérito da denúncia
Arquivamento não impede apuração por outros órgãos de controle
A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) decidiu arquivar o pedido de impeachment apresentado contra a governadora Raquel Lyra (PSD). A decisão foi tomada pelo presidente da Casa, deputado Álvaro Porto (PSDB), que acolheu integralmente o parecer nº 060/2026 da Procuradoria-Geral do Legislativo estadual.
Segundo o entendimento jurídico adotado, o pedido não preencheu os requisitos técnico-jurídicos de admissibilidade previstos na Constituição Federal e na Lei nº 1.079/1950, que define os crimes de responsabilidade. Com isso, o arquivamento foi determinado ainda na fase preliminar do procedimento.
A Alepe informou que a deliberação não representa análise do mérito da denúncia nem qualquer juízo definitivo sobre os fatos relatados. A medida foi caracterizada como um ato formal, restrito ao controle de admissibilidade, atribuição que cabe à Presidência da Casa.
De acordo com o Legislativo estadual, a providência tem como finalidade preservar a segurança jurídica e o caráter excepcional do instrumento do impeachment, previsto no ordenamento jurídico brasileiro.
A decisão será publicada no Diário Oficial do Estado na edição desta sexta-feira (6). Em nota oficial, a Assembleia destacou que o arquivamento do pedido não impede a apuração dos fatos mencionados na denúncia.
Segundo o comunicado, eventuais irregularidades poderão ser analisadas tanto no âmbito da própria Alepe, no exercício de suas funções fiscalizatórias, quanto por outros órgãos de controle e fiscalização, conforme estabelece a legislação vigente.
No texto da nota, a Assembleia reiterou que a ausência de admissibilidade técnica não impede a adoção de outras medidas institucionais cabíveis, caso sejam identificados elementos que justifiquem apuração administrativa ou de outra natureza.
A governadora Raquel Lyra foi alvo de um pedido de impeachment após a repercussão de denúncias envolvendo a Logo Caruaruense, empresa de transporte intermunicipal pertencente ao ex-governador João Lyra, pai da chefe do Executivo estadual. A representação foi protocolada em 19 de janeiro pelo deputado estadual Romero Albuquerque (União Brasil).
As supostas irregularidades constam em relatório interno da Empresa Pernambucana de Transporte Coletivo Intermunicipal (EPTI). O documento aponta que a empresa operava com vistorias vencidas e sem o Certificado de Registro Cadastral (CRC), cuja taxa, segundo o relatório, não era quitada ao menos desde 2020.
Ainda de acordo com a EPTI, desde 2022 nenhum dos 50 ônibus da frota passou pelas inspeções obrigatórias. Parte dos veículos estaria com licenças vencidas desde 2021. Após a divulgação do caso, a governadora anunciou o encerramento das atividades da empresa.
No pedido encaminhado à Assembleia Legislativa, Romero Albuquerque sustenta que os fatos poderiam caracterizar crime de responsabilidade. O parlamentar afirma que, além das irregularidades operacionais, a Logo Caruaruense teria sido contratada pelo governo estadual sem licitação.
Segundo o documento, a empresa prestou serviços à administração estadual entre 2023 e 2025, período em que teria recebido cerca de R$ 100 mil. O deputado argumenta que a contratação ocorreu sem procedimento licitatório formal e apesar das restrições administrativas apontadas no relatório técnico.
A representação também menciona obrigações legais da EPTI de realizar inspeções anuais nas empresas permissionárias do transporte intermunicipal. Conforme o próprio relatório do órgão, a Logo Caruaruense não era fiscalizada desde 2022, último ano anterior ao início do atual governo.
Para o autor do pedido, a ausência de fiscalização por período prolongado indicaria falha deliberada da administração pública. O texto ainda aponta que aproximadamente 78% da frota da empresa teria mais de dez anos de uso, o que, segundo as normas vigentes, exigiria a retirada dos veículos de circulação.
O documento informa, por fim, que a EPTI instaurou procedimento administrativo para avaliar a renovação do CRC, com análises fiscais, administrativas e jurídicas. O processo estaria suspenso desde 13 de fevereiro de 2025, à espera da apresentação de documentação por parte da empresa.