Plantão Jamildo.com | Publicado em 19/05/2026, às 17h30
O presidente nacional do PSB e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, afirmou que o partido adotará posição contrária à escala de trabalho 6x1 no debate em tramitação na Câmara dos Deputados. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Asas FM, em Lajedo, e posteriormente reproduzida pelo próprio dirigente em publicação nas redes sociais, nesta terça-feira (19).
No post, João vinculou a posição da legenda à defesa de melhores condições de trabalho e à ampliação do tempo de convivência familiar dos trabalhadores. Segundo ele, o partido decidiu fechar questão nacionalmente contra a manutenção do modelo de jornada, em discussão no Congresso Nacional.
“Agora está em debate na Câmara a pauta do fim da escala 6x1. O nosso partido fechou questão para ser contra a escala 6x1 e ajudar a defender o trabalhador. Para que possa ter direito de ficar com a sua família, ficar com seu filho, de poder cuidar daquilo que lhe interessa e não apenas viver todo dia praticamente trabalhando numa escala, que a gente sabe, que não é a melhor”, afirmou.
João Campos também disse que o posicionamento do partido considera medidas voltadas aos pequenos negócios, defendendo mecanismos de compensação para reduzir impactos econômicos sobre micro e pequenos empreendedores. De acordo com ele, a discussão precisa combinar mudanças na jornada de trabalho com instrumentos de apoio ao setor produtivo.
“E ajudar principalmente o pequeno empreendedor para que ele possa ter medidas compensatórias, para os pequenos negócios, microempreendedores individuais, empresas de pequeno porte, possam ser compensadas”, declarou.
Na publicação feita nas redes sociais, João reforçou o posicionamento político da legenda e afirmou que a defesa do trabalhador faz parte da trajetória histórica do partido. “O meu posicionamento e do PSB é bem claro: somos contra a escala 6x1 e vamos votar para defender o trabalhador. Porque o trabalhador e a trabalhadora merecem mais do que sobreviver. Eles merecem viver uma vida com seu trabalho valorizado e com a garantia de ter tempo para aproveitar bons momentos com quem ama”, escreveu.
O dirigente também afirmou que o PSB deve manter posição unificada sobre o tema. “Defender o fim da escala 6x1 é um compromisso que o nosso partido terá, é a posição que eu tenho como cidadão, como presidente do partido e nosso partido fechará questão no âmbito nacional dessa matéria”, acrescentou.
O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos meses no Congresso Nacional. Após resistência inicial de partidos do Centrão, lideranças de siglas de direita passaram a admitir discussão sobre o tema, enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou propostas que tratam do assunto para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), movimento para acelerar a tramitação.
Atualmente, a Câmara reúne projetos apresentados em diferentes períodos. Um deles foi protocolado em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes. Outro texto, apresentado em 2025 pela deputada Erika Hilton, também propõe alterações na carga horária semanal. As duas iniciativas defendem a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais.
A proposta de Erika Hilton inclui ainda a possibilidade de adoção do modelo de quatro dias de trabalho por três de descanso, com limite diário de oito horas trabalhadas.
No Senado Federal, a matéria mais antiga sobre o tema é uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada em 2015 pelo senador Paulo Paim. O texto prevê diminuição gradual da jornada semanal, inicialmente para 40 horas e, posteriormente, para 36 horas.
Apesar das diferenças entre os projetos, as propostas têm um ponto em comum: reduzir a carga horária e o número de dias trabalhados sem alterar salários ou benefícios dos trabalhadores.
O tema ganhou maior repercussão política ao longo de 2025, impulsionado por mobilizações organizadas por movimentos populares em defesa do fim da escala 6x1. A pressão também ampliou o espaço da discussão em Brasília e levou setores do governo federal a demonstrarem apoio público à pauta.
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