Empresários defendem fim da escala 6x1 e citam aumento de produtividade e retenção de funcionários

Fim da escala 6x1: no Congresso, donos de cafés, docerias, escritórios e corretoras dizem que modelo 5x2 pode conviver com lucro e eficiência

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 15/05/2026, às 10h24 - Atualizado às 10h47

Empresários de diferentes setores foram ao Congresso defender o fim da escala 6x1 e afirmam que jornadas mais flexíveis aumentaram produtividade, reduziram rotatividade e até fizeram empresas crescerem.
Empresários de diferentes setores defendem fim da escala 6x1 e afirmam que jornadas mais flexíveis aumentaram produtividade, reduziram rotatividade e até fizeram empresas crescerem - Divulgação

Empresários ligados à campanha “Brasil Quer Mais Tempo” defenderam no Congresso o fim da escala 6x1.

O grupo apresentou exemplos de empresas que adotaram jornadas mais flexíveis com resultados positivos.

Uma rede de cafés afirmou ter crescido 35% após manter escala 5x2.

Empresários relataram melhora na produtividade, retenção de funcionários e clima interno.

A mobilização tenta rebater o discurso de que pequenas empresas seriam contra a redução da jornada.

Os representantes do movimento “Brasil Quer Mais Tempo” participaram, em Brasília, de reuniões no Congresso Nacional para defender o fim da escala de trabalho 6x1 e apresentar casos práticos de empresas que já adotaram jornadas mais flexíveis, especialmente nos setores de comércio e serviços.

O grupo se reuniu com a deputada federal Erika Hilton e representantes do Sebrae para discutir os impactos da redução da jornada de trabalho sobre produtividade, qualidade de vida e retenção de trabalhadores.

A mobilização faz parte da campanha “Brasil Quer Mais Tempo”, que afirma já reunir mais de 120 mil assinaturas em defesa do fim da escala 6x1, incluindo mais de 9 mil empresários.

Entre os exemplos apresentados ao Congresso está o da empresária Isabela Raposeiras, dona de uma rede de cafés, que afirma ter registrado crescimento de 35% após adotar a escala 5x2. “Eu não sou a única empresa que se beneficiou financeiramente com a adoção da escala 5x2. A gente precisa inspirar mais empresas a fazerem esse movimento e não terem tanto medo”, declarou.

No setor de gestão de frotas, Eduardo Bortotti Fagundes, sócio-diretor da ECAR Fleet Gerenciamento de Frotas, afirmou que a empresa já nasceu fora do modelo 6x1 e aposta em flexibilidade, home office e jornadas híbridas. Segundo ele, funcionários com mais tempo de descanso entregam melhores resultados. “Funcionário descansado e podendo ter tempo para suas coisas pessoais retribui isso em maior produtividade e compromisso nas entregas”, afirmou, em informe ao site Jamildo.com.

A empresária Veridiana Noda Bechara, proprietária da La Pet Cuisine, também defendeu jornadas mais equilibradas. “Acredito que todos os trabalhadores merecem uma vida de qualidade, incluindo no mínimo dois dias de descanso”, disse. Já a advogada Elisabeth Stahl Ribeiro relatou que seu escritório deixou de funcionar aos sábados em 2023 e afirma que a mudança trouxe melhora no ambiente de trabalho. “Na segunda-feira chegamos com mais ânimo”, declarou.

No comércio, Ana Clara Guedes, sócia da Brava Doceria, afirmou que sua empresa já opera em modelo 5x2, mesmo sendo uma microempresa. “Se eu consigo, os grandes também conseguem”, afirmou. Segundo ela, a mudança ajudou a reduzir problemas de rotatividade e aumentou o comprometimento da equipe. “As pessoas abraçam a marca e vendem mais e melhor”, declarou.

O debate também mobiliza empresários do setor de recursos humanos e seguros. Denise Faro, da Mappa RH, afirmou que o fim da escala 6x1 pode estimular novas contratações e investimentos em eficiência operacional. Já Jonathan Barbacovi, da J&G Corretora, disse que parte do mercado já funciona sem necessidade de manter operações comerciais ativas todos os dias da semana. “Não existe impacto econômico negativo”, avaliou.

Os organizadores da campanha afirmam que a discussão sobre o fim da escala 6x1 envolve temas como saúde mental, produtividade sustentável e qualidade de vida, além de buscar mostrar que parte do setor empresarial já considera viável a adoção de modelos de trabalho com mais dias de descanso.