Cynara Maíra | Publicado em 19/01/2026, às 09h02 - Atualizado às 09h25
O senador Humberto Costa (PT) sinalizou no domingo (18) que o Partido dos Trabalhadores em Pernambuco deve manter a aliança com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), para as eleições estaduais de 2026.
A declaração do parlamentar ocorre após uma semana de divergências internas na legenda sobre a tese de qual palanque seria o do presidente Lula (PT) no estado.
Em entrevista ao Blog do Silvinho, Humberto afirmou que "a tendência hoje é que o PT esteja com João Campos". Segundo ele, a principal condição do partido para fechar apoio em torno de um nome é o compromisso com a reeleição do presidente da República.
"João Campos é o único dos candidatos que já afirmou que apoiará o presidente Lula em 2026 e esta é a principal condição do PT para fechar apoio em torno de um nome na disputa", justificou o senador.
A fala de Humberto é uma resposta às movimentações dentro do PT pernambucano. O deputado estadual João Paulo defendeu publicamente a discussão sobre a aproximação com a governadora Raquel Lyra (PSD), sugerindo que Lula poderia ter múltiplos palanques no estado.
Dirigentes do PT mais alinhados com o PSB, como o secretário de habitação do Recife Felipe Cury, afirmam que João Campos é a escolha correta por ter se posicionado pela reeleição de Lula e pela articulação nacional, que deve manter PT e PSB na mesma coligação.
Em fala, Humberto Costa reconheceu que a eleição de 2026 será acirrada e elogiou os dois principais concorrentes.
"A governadora Raquel Lyra tem melhorado seu desempenho administrativo apesar de ter algumas dificuldades políticas e de articulação. O prefeito João Campos tem feito uma gestão que é reconhecida pela população como muito boa", avaliou.
Apesar da tendência pró-João, o senador deixou a porta aberta para a decisão final de Lula sobre subir ou não no palanque da governadora. "Nós vamos defender que Lula esteja no palanque onde estará o PT, mas isso dependerá dele", ponderou.
A declaração de Humberto ocorre após especulações de que o PSB poderia seguir com a candidatura de João Campos sem o PT caso a divisão interna persistisse.
Na semana passada, o secretário de Habitação do Recife, Felipe Cury (PT), criticou a tese de "três palanques" defendida por João Paulo, classificando-a como um erro político que minimiza a importância eleitoral de Lula.
O PT de Pernambuco inicia neste mês um calendário de escutas regionais para definir a tática eleitoral. O presidente estadual da sigla, deputado Carlos Veras, já falou que o objetivo da legenda é garantir a reeleição de Lula e de Humberto Costa ao Senado.
Apesar do foco das escutas ser as escolhas do partido para Câmara Federal e Assembleia Legislativa, a senadora Teresa Leitão é uma das defensoras de antecipar o tema do posicionamento do PT sobre a eleição ao Executivo Estadual no diretório estadual.
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