Cynara Maíra | Publicado em 19/06/2026, às 15h55
A vereadora Eugênia Lima (PT) fez críticas à prestação de contas do Carnaval de Olinda de 2026 apresentada pela Prefeitura durante sessão especial realizada na quinta-feira (18), mais de quatro meses após o encerramento da festa. Única representante da oposição na Câmara Municipal, a parlamentar questionou a transparência das informações divulgadas e cobrou maior participação da sociedade no planejamento e acompanhamento do evento.
Entre os pontos levantados, Eugênia apontou o funcionamento da Comissão Permanente do Carnaval, prevista na Lei Municipal nº 5.306/2001. Segundo ela, o colegiado não manteve reuniões regulares ao longo do processo de organização da festa, o que teria limitado a participação popular nas discussões.
“Foi uma comissão de maquiagem. As reuniões começaram a acontecer, depois não aconteciam mais”, afirmou. “Esse diálogo e essa participação na construção do Carnaval do povo não aconteceu”, acrescentou.
Durante a apresentação, a Prefeitura informou que o Carnaval de Olinda movimentou R$ 23,59 milhões em investimentos, envolvendo ações de sete secretarias municipais. De acordo com os dados apresentados pela gestão, R$ 15,31 milhões desse montante foram obtidos por meio de patrocínios, entre eles recursos oriundos do Governo de Pernambuco.
A vereadora também destacou que aproximadamente 80% das agremiações carnavalescas já receberam os cachês referentes à participação na festa. Segundo ela, o resultado está relacionado a uma alteração na legislação municipal aprovada neste ano, por meio de emenda de sua autoria, que estabeleceu regras para dar maior previsibilidade aos pagamentos. “Eles não vão mais passar de um ano para receber seus cachês, como era antes”, declarou.
Apesar disso, Eugênia afirmou que a prestação de contas apresentada pela Prefeitura não contemplou todas as informações exigidas pela legislação atualizada. A parlamentar lembrou que a nova redação da Lei do Carnaval passou a exigir detalhamento das receitas, despesas, pagamentos e obrigações pendentes relacionadas ao evento.
“Esse relatório deveria informar a receita por fonte, as despesas por categoria, os restos a pagar, todos os cachês contratados, pagos e pendentes”, afirmou.
Segundo a vereadora, a ausência desses dados dificulta a fiscalização dos gastos públicos e o acompanhamento da execução financeira do Carnaval. “Está na Lei, e a gente precisa receber isso de forma detalhada. Essa prestação de contas está incompleta”, disse.
A petista também questionou a falta de informações individualizadas sobre artistas, grupos culturais e agremiações que receberam pagamentos ou ainda aguardam repasses. “Fica difícil fiscalizar, porque a gente não sabe quem foi que trabalhou no Carnaval e ainda não recebeu”, argumentou.
Outro ponto citado foi a ausência de esclarecimentos sobre a empresa responsável pela captação de patrocínios para a festa. De acordo com a parlamentar, não foram apresentados detalhes sobre a contratação nem sobre os valores envolvidos na operação. “Até hoje eu não sei que empresa é essa, nem quanto foi que ela ganhou para isso”, afirmou.
Eugênia também cobrou maior transparência em relação aos patrocinadores e aos recursos aportados por cada instituição ou empresa. “A gente não vê o valor de cada um desses patrocinadores”, declarou.
O espaço está aberto para o outro lado. A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Olinda, que até a publicação desta matéria, não retornou.
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