Em visita ao Araripe, João Campos critica estradas e concessão da Compesa

Cynara Maíra | Publicado em 07/04/2026, às 08h57 - Atualizado às 10h05

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O ex-prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB), continua sua roda pelo interior do estado com agenda no Sertão do Araripe na segunda-feira (06).

Em Araripina, o socialista criticou as condições da malha viária regional e o modelo de concessão parcial da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). O roteiro incluiu reuniões com lideranças políticas e visitas a trechos rodoviários na divisa com o Ceará.

Acompanhado pelo pré-candidato a vice-governador, Carlos Costa (Republicanos), e pela pré-candidata ao Senado, Marília Arraes (PDT), João Campos visitou a PE-585.

A rodovia é a principal ligação entre Araripina e o estado vizinho. O parlamentar comparou a qualidade do asfalto entre as duas unidades da federação. Segundo João, o trecho cearense estaria em bom estado de conservação e a parte pernambucana estaria desgastada.

De acordo com o pré-candidato, a situação da estrada prejudica a segurança viária e a produtividade do Polo Gesseiro, que responde por 95% da produção nacional de gipsita. João Campos defendeu que a recuperação de rodovias deve seguir critérios técnicos de engenharia e manutenção constante para evitar o isolamento logístico da região.

Aqui é polo de serviço, é polo de logística, tem atividade industrial estabelecida. Tem que haver a infraestrutura mínima, porque ao lado dela vêm emprego, renda e oportunidade”, afirmou. 

O prefeito de Araripina, Evilásio Mateus (PDT), recebeu a comitiva em defesa da chapa de oposição. João Campos defendeu que o fortalecimento econômico de Araripina depende da conclusão da ferrovia Transnordestina e da interiorização do gás natural para abastecer as indústrias de gesso.

Antes de chegar a Pernambuco, João Campos visitou Juazeiro do Norte e Crato, no Ceará. O roteiro religioso pelas estátuas de Padre Cícero e Nossa Senhora de Fátima repete o pai, Eduardo Campos em 2014, quando concorria à Presidência da República. 

Questionamentos sobre a concessão da Compesa

A principal crítica técnica da agenda recaiu sobre o contrato de concessão parcial da Compesa, assinado pela gestão da governadora Raquel Lyra (PSD) em março de 2026.

O modelo transferiu a distribuição de água e a coleta de esgoto para a iniciativa privada por um período de 35 anos. No bloco correspondente ao Sertão, os consórcios vencedores devem investir na universalização dos serviços até 2033.

João Campos afirmou que o planejamento da concessão utilizou dados subdimensionados para obras fundamentais, como a Adutora de Negreiros. Ele alegou que os recursos que constam no contrato podem ser insuficientes para cobrir a demanda real da rede. Para o socialista, o erro no cálculo financeiro comprometeria a meta de acabar com o racionamento crônico que atinge os municípios do Araripe.

A Compesa permanece como uma empresa pública responsável apenas pela captação e tratamento da água. O governo estadual homologou o leilão em dezembro de 2025, garantindo um ágio de R$ 4,2 bilhões, dos quais R$ 1,4 bilhão irá aos municípios em três parcelas para investimentos em infraestrutura.

João Campos Compesa araripe

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