Cynara Maíra | Publicado em 30/05/2026, às 11h24 - Atualizado às 12h13
A governadora Raquel Lyra (PSD) participou, na sexta-feira (29), da abertura do 25º Congresso de Mulheres da Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco (IEADPE), no Recife. O evento religioso reuniu mais de 4 mil pessoas e serviu de palco para a movimentação política do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil) e do deputado federal Eduardo da Fonte (PP).
Ambos são presidentes estaduais de seus partidos, que compõem a federação União Progressista, e disputam uma vaga na chapa de Raquel ao Senado.
Com o tema "Mulheres plenas de sabedoria e inteligência espiritual", a agenda celebrou o Jubileu de Prata do tradicional encontro de fiéis.
Além de Miguel e Eduardo da Fonte, participaram do ato o deputado federal Túlio Gadelha (PSD) o deputado estadual Adalto Santos (PP) e o pré-candidato a deputado federal Edilson Tavares (PP). As lideranças políticas acompanharam as pregações e os louvores coordenados pelo pastor presidente da denominação, Ailton Alves, e sua esposa, Judite Alves.
A presença dos dois pré-candidatos ao Senado ocorre no dia seguinte à divulgação da pesquisa Datafolha para a Casa Alta, encomendada pela TV Tribuna.
No levantamento estimulado, Eduardo da Fonte aparece numericamente à frente de Miguel Coelho nos dois cenários testados pelo instituto, registrando entre 21% e 22% das intenções de voto. O ex-prefeito de Petrolina flutua entre 16% e 19%.
A disputa interna se intensificou após o PP oficializar o apoio à reeleição da governadora. No mesmo dia da demonstração de força de Dudu da Fonte, o Podemos referendou o nome de Miguel para a chapa majoritária.
Miguel Coelho e Eduardo da Fonte são da mesma federação, o União Progressista, e apesar do peso do grupo no tempo de televisão e articulação na Assembleia Legislativa, não faria sentido para Raquel colocar ambos. A tendência é que uma das vagas fique com o deputado federal Túlio Gadelha, que saiu da Rede Sustentabilidade para o PSD de Raquel, sendo uma forma de manter o vínculo da gestora com grupos mais à esquerda e alinhadas ao presidente Lula (PT).
Como um estado com as maiores aprovações da gestão de Lula, seria necessário o apoio de eleitores lulistas para se eleger, mesmo que o endosso oficial fique com João Campos.
A ideia é que Túlio e figuras petistas divergentes do apoio ao PSB, como o deputado estadual João Paulo, auxiliem no processo de captar esse grupo.
A pesquisa Datafolha também indica essa disputa pelo eleitorado. João Campos conseguiu o apoio de 58% dos que declaram voto em Lula, Raquel fica com 41% desse grupo.
Apesar da pressão dos aliados e da intensificação das agendas de pré-campanha no interior e na Região Metropolitana, a chefe do Executivo estadual deve adiar a definição oficial sobre a composição das duas cadeiras majoritárias. Segundo interlocutores da gestão, como o deputado estadual Antônio Moraes (PSD), a governadora Raquel Lyra pretende divulgar a escolha dos nomes que ocuparão a chapa apenas às vésperas das convenções partidárias.
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