Competindo por conservadores, Eduardo da Fonte vai em evento evangélico; Mendonça Filho vai ao bolsonarismo

Cynara Maíra | Publicado em 08/09/2026, às 11h31 - Atualizado às 13h29

- Pedro Gonçalves- Divulgação
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Os candidatos ao Senado e deputados federais Eduardo da Fonte (PP) e Mendonça Filho (PL) usaram a segunda-feira (07) do Dia da Independência para apresentar gestos aos eleitores conservadores, de maneiras distintas.

Dudu se voltou para o público evangélico ao participar de um evento da Assembleia de Deus; Mendonça foi em uma manifestação da direita ao lado de nomes do bolsonarismo, como o ex-ministro Gilson Machado Neto (Podemos) e a deputada federal correligionária de Dudu, Clarissa Tércio (PP). 

Na Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Pernambuco (IEADPE), no Recife, Eduardo da Fonte acompanhou o culto de Santa Ceia com a vice-governadora Priscila Krause (PSD) e a sua segunda suplente, Jane Santos.

No templo, o parlamentar reafirmou os termos da "Carta Compromisso com os Cristãos de Pernambuco", documento que assinou em julho com foco na família, na liberdade religiosa e no trabalho social das igrejas.

O dirigente do PP não entra na disputa presidencial e evita vincular sua imagem ao debate nacional. No PodJá, do Jamildo.com, Dudu afirmou que "só se apega a palanque quem não tem o que mostrar".

Ele direciona o discurso para a liberação de emendas na área de saúde e se apoia na aliança com mais de 80 prefeitos pelo estado, focando na neutralidade. Nesse tom, o PP também reúne outros quadros representativos do segmento cristão, Pastor Cleiton Collins e da própria Clarissa Tércio. 

A poucos quilômetros do templo, na orla de Boa Viagem, Mendonça Filho preferiu discursar aos eleitores bolsonaristas. O deputado confirmou a chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL) a Pernambuco no dia 16 de setembro, com atos no Recife e em Santa Cruz do Capibaribe, no Agreste. 

Para assegurar o eleitorado conservador, o deputado adotou um tom duro de oposição ao PT e aborda pautas de segurança pública, área em que atuou como relator da PEC da Segurança na Câmara dos Deputados.

Em cima do trio elétrico, o postulante do PL disse que não hesitará em votar pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito para o Senado.

A concorrência pelos votos conservadores provocou atritos jurídicos nos últimos dias.

Por meio da Coligação Pernambuco de Coração, Eduardo da Fonte e Túlio Gadêlha (PSD) acionaram o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) contra a propaganda de Mendonça.

O tribunal mandou suspender as peças por considerar que o material sugeria apoio de Raquel Lyra (PSD) ao candidato do PL. Mendonça chamou a ação de "desespero" provocado pelos números da pesquisa Real Time Big Data, na qual atingiu 20% das intenções de voto, empatando na margem de erro com Humberto Costa (PT), que teve 19%, enquanto Dudu pontuou 13%.

Como o eleitorado pernambucano tende a ser mais à esquerda, os candidatos do campo da direita dependem de votos cruzados e da polarização para ganhar a disputa contra outros candidatos ao Senado. O principal ponto seria a divisão de votos para os apoiadores de Lula, já que Humberto Costa, Marília Arraes e Túlio Gadelha se colocam na posição de aliados do presidente e poderiam facilitar que o segundo candidato seja um nome mais destoante entre os candidatos. 

 

Eduardo da Fonte Mendonça Filho