Plantão Jamildo.com | Publicado em 21/01/2026, às 14h57
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos defendeu o avanço da proposta que prevê o fim da escala 6x1 no Brasil durante entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, nesta quarta-feira (21). O tema integra a agenda de prioridades do governo federal para 2026 e, segundo o ministro, já está em discussão com lideranças do Congresso Nacional.
Boulos afirmou que o diálogo com parlamentares tem evoluído e que há perspectiva de votação ainda neste semestre. “Está avançando muito bem o diálogo com os setores do Congresso. Estive com o presidente da Câmara, Hugo Motta, na semana passada, junto com o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, e fizemos uma conversa sobre o fim da 6x1. Há um avanço na discussão para que a gente vote ainda neste semestre”, disse.
Segundo o ministro, a proposta em construção estabelece jornada máxima de cinco dias de trabalho por dois de descanso, com limite de 40 horas semanais e sem redução salarial. “Hoje o máximo é 44 horas semanais e queremos reduzir para 40, sem redução de salário. Esta é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia”, afirmou.
Ao tratar das críticas relacionadas a possíveis impactos econômicos, Boulos afirmou que a redução da jornada não implica queda de produtividade. Ele citou experiências internacionais para sustentar o argumento.
“A Islândia reduziu a jornada e teve crescimento econômico e aumento da produtividade. Nos Estados Unidos, houve redução média do tempo de trabalho diário e a produtividade aumentou. No Japão, a adoção da escala 4x3 em uma empresa elevou a produtividade individual”, declarou.
O ministro também mencionou dados de estudos realizados no Brasil. “Em 2024, uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas analisou 19 empresas que reduziram a jornada. Em 72% delas houve aumento de receita e, em 44%, melhora no cumprimento de prazos”, relatou.
Durante a entrevista, Boulos destacou que o debate sobre a escala 6x1 envolve qualidade de vida e organização do tempo de trabalho. “Uma coisa é trabalhar para viver. Outra é viver para trabalhar, sem tempo para a família ou para qualificação profissional”, afirmou.
Para ele, jornadas menos extensas tendem a resultar em melhores condições físicas e emocionais para os trabalhadores. “Quando o trabalhador está mais descansado, trabalha melhor”, completou.
Além da pauta trabalhista, o ministro apresentou avanços em outras frentes da Secretaria-Geral, como a discussão sobre a regulação de aplicativos de entrega, voltada à ampliação da proteção social dos entregadores, e a proposta de participação popular no orçamento federal, denominada Orçamento do Povo.
6x1: Câmara promove Seminário Regional no Recife para debater impactos da escala na saúde e economia
Boulos lidera ranking de engajamento digital entre ministros do governo Lula
Jornada 4x3 com isenção de ISS: Kari Santos comenta projeto que tramita na Câmara do Recife pelo fim da escala 6x1