Após queda de Bolsonaro, Moraes nega remoção imediata do ex-presidente para hospital

Cynara Maíra | Publicado em 07/01/2026, às 09h16 - Atualizado às 10h26

Bolsonaro durante internação anterior. Político teria batido a cabeça, mas continua encarcerado - DIVULGAÇÃO
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou a transferência imediata do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma unidade hospitalar.

A decisão ocorre após o político sofrer uma queda dentro da cela onde cumpre pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, na madrugada desta terça-feira (6).

No despacho, Moraes fundamentou a negativa em uma nota técnica emitida pela própria Polícia Federal. O documento médico da instituição relatou que houve apenas "ferimentos leves" e que o profissional de saúde "não identificou necessidade de encaminhamento hospitalar, sendo indicada apenas observação".

A partir do laudo, o ministro destacou que "não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado".

Moraes determinou a juntada do laudo ao processo e intimou a defesa de Bolsonaro a indicar quais exames complementares seriam necessários. O objetivo do magistrado é verificar se os procedimentos podem ser realizados dentro do próprio sistema penitenciário.

O acidente na cela

A informação sobre o incidente foi divulgada inicialmente pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em publicação nas redes sociais, ela afirmou que o marido "não está bem" e relatou que ele teria batido a cabeça em um móvel após sofrer uma "crise" enquanto dormia.

O cirurgião Claudio Birolini, chefe da equipe médica que acompanha o ex-presidente, confirmou que Bolsonaro sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE) leve.

O episódio acontece menos de uma semana após o político receber alta médica. Bolsonaro retornou à carceragem no dia 1º de janeiro, após passar o Natal e o Réveillon internado no hospital DF Star para cirurgias de correção de hérnia e tratamento de quadros de soluço.

Pressão por prisão domiciliar

O caso gerou reação do Partido Liberal (PL) e de aliados políticos, que voltaram a pressionar o Judiciário pela concessão de prisão domiciliar. Em nota oficial, a legenda classificou a manutenção da prisão como "incabível" e repudiou a decisão do STF.

"Estão mantendo encarcerado um homem com 70 anos de idade, recém-operado, com saúde debilitada em decorrência da facada que levou em 2018", diz o texto do partido.

Em Pernambuco, a repercussão mobilizou a base bolsonarista. O deputado federal Coronel Meira (PL) responsabilizou diretamente Alexandre de Moraes pelo ocorrido.

"A responsabilidade é sua, Alexandre de Moraes. Deixe ele ir para sua casa, ele tem mais de 70 anos, tem comorbidades sérias", declarou o parlamentar.

O ex-ministro do Turismo, Gilson Machado Neto (PL), e o deputado estadual Coronel Alberto Feitosa (PL) também manifestaram preocupação com o estado de saúde do ex-presidente e pediram para que Bolsonaro cumpra a pena em casa. 

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