Lars Grael debate liderança e adaptação em encontro do LIDE Pernambuco

Plantão Jamildo.com | Publicado em 22/05/2026, às 13h40

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O velejador e bicampeão mundial Lars Grael participou de um encontro promovido pelo LIDE Pernambuco com cerca de 50 lideranças empresariais para discutir temas ligados à liderança, tomada de decisão, adaptação a mudanças e construção de legado. O evento reuniu empresários e executivos em torno de uma conversa baseada na trajetória esportiva e pessoal do atleta.

Durante a apresentação, Lars utilizou experiências da carreira na vela para estabelecer paralelos com o ambiente corporativo. Ao abordar os desafios enfrentados ao longo da vida profissional, o esportista afirmou que a capacidade de adaptação é determinante tanto no esporte quanto nos negócios. “Nem sempre é possível escolher o vento, mas sempre é possível decidir como navegar”, afirmou ao iniciar a palestra.

O atleta relembrou o início da carreira ainda na infância, marcado por dificuldades financeiras, improvisos e limitações estruturais. Entre os episódios citados, destacou competições disputadas com embarcações recuperadas pouco antes das provas, situação que, segundo ele, reforçou a necessidade de encontrar alternativas diante dos obstáculos.

Ao relacionar a experiência da vela com o setor empresarial, Lars disse que lideranças precisam interpretar sinais de mudança antes que os cenários se consolidem. Segundo ele, crises econômicas, transformações tecnológicas, mudanças regulatórias e alterações sociais costumam apresentar indícios prévios que exigem atenção e capacidade de resposta. “Liderança, competitividade e longevidade dependem da capacidade de interpretar cenários, ajustar rotas e manter direção mesmo quando as condições mudam”, declarou.

O encontro também abordou um dos momentos mais conhecidos da trajetória do atleta. Em 1998, durante uma regata em Vitória, no Espírito Santo, Lars Grael sofreu um acidente após ser atingido por uma embarcação, episódio que resultou na amputação da perna direita.

Segundo o velejador, o processo de recuperação exigiu não apenas adaptação física, mas também reconstrução emocional e redefinição de objetivos pessoais e profissionais. Ele afirmou que a experiência alterou sua percepção sobre desempenho e superação.

Durante a palestra, Lars também mencionou a história do atirador olímpico húngaro Károly Takács, que perdeu o braço dominante durante a guerra e voltou a competir até conquistar duas medalhas de ouro olímpicas. “O erro é achar que o bom atirador atira com a mão. Ele atira com a mente”, afirmou.

A partir do exemplo, o atleta diferenciou persistência de teimosia. Segundo ele, insistir em estratégias equivocadas representa rigidez, enquanto persistência está ligada à capacidade de aprender, corrigir rotas e seguir em direção aos objetivos.

Lars também apresentou detalhes do Projeto Grael, iniciativa criada para promover inclusão social, formação cidadã e educação ambiental por meio do esporte. O programa atua na formação de jovens e se consolidou como uma das principais ações sociais vinculadas à vela no país.

Empresários que participaram do encontro destacaram a relação entre os temas debatidos e os desafios enfrentados no ambiente corporativo.

O CEO da Surfix, Darcio Macedo, afirmou que a trajetória de Lars dialoga com a realidade de lideranças empresariais em cenários de instabilidade. “A história de Lars mostra que alta performance não nasce da ausência de adversidades, mas da capacidade de interpretar cenários, ajustar rotas e seguir competitivo. Em um ambiente de mudanças aceleradas, essa talvez seja uma das competências mais relevantes para empresas e lideranças”, disse.

Já o CEO da Éfficopar, Roberto Tavares, destacou o impacto social construído pelo atleta ao longo dos anos.

A trajetória de Lars impressiona pelas conquistas esportivas e pela capacidade de se reinventar diante das adversidades, mas talvez o aspecto mais inspirador seja a escolha de transformar essa experiência em impacto coletivo. O Projeto Grael mostra que o verdadeiro legado não está apenas em vencer, mas em ampliar oportunidades, formar pessoas e usar o esporte como instrumento de cidadania e transformação social”, afirmou.

Empresários Lide PE

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