Otávio Gaudêncio | Publicado em 20/01/2026, às 08h32 - Atualizado às 10h16
Apesar de ainda funcionar apenas entre os estados de Piauí e Ceará, a Ferrovia Transnordestina (TLSA) já começa a interessar os comerciantes da região.
Segundo os gestores do trecho cearense, a demanda dos empresários e produtores pelo transporte de produtos via Transnordestina vem crescendo desde as primeiras viagens experimentais entre o Piauí e o Ceará.
“Quando a ferrovia estiver totalmente finalizada, com a estrutura de carregamento e descarregamento concluída, a gente enxerga, sim, uma redução real de custos. É praticamente um sonho, um sonho que sempre almejamos e que agora começa a se realizar. Ainda não temos o custo final definido, mas a expectativa é que ele seja bem menor do que o rodoviário”, disse o diretor e sócio da Tijuca Alimentos, Marden Alencar Vasconcelos.
O diretor Comercial da ferrovia, Alex Trevizan, conta que a estratégia atual será ensaiar o modelo de contratação e de operação a ser consolidado em 2028, ano de previsão para conclusão da Transnordestina.
"Após essa operação de dezembro, várias empresas nos procuraram para fazer um transporte parecido, e para começar o transporte de outros tipos de carga. Nós também procuramos empresas para fazer esses testes, começar a operação comercial, e depois ir seguindo para uma operação comercial permanente”, afirmou.
O cliente pode alugar cada vagão da Transnordestina individualmente. Desse modo, uma mesma locomotiva de 20 vagões pode transportar cargas distintas em uma mesma viagem.
Além da conexão intermodal entre rodovia e ferrovias, o contratante dos serviços da TLSA pode escolher integrações com terminais de gestão privada. Segundo Alex Trevizan, o empresário também pode contatar organizações privadas para o processo de armazenagem e descarregamento.
Há também o cenário no qual o próprio investidor responsável pela construção do terminal atuaria também como comprador da carga.
“Normalmente, a Transnordestina também ajuda a fazer essa ponte. Nós já temos quem tem o produto para vender e conectamos diretamente com a empresa que quer comprar”, pontua o diretor comercial.
As obras da Transnordestina começaram em 2006, durante o Governo Lula, para conectar o estado do Piauí aos portos de Suape e Pecém. A expectativa era de que o projeto fosse entregue até o ano de 2013.
Em 2016, os trechos de obras em Pernambuco foram suspensos, com apenas 38% de conclusão das construções. Após, o Tribunal de Contas da União (TCU) suspende repasse de recursos federais a ferrovia.
No ano de 2022, a TLSA devolveu o trecho Salgueiro-Suape ao Governo Federal e deu seguimento a conexão do Piauí com o Porto do Pecém, no Ceará, excluindo Pernambuco.
Já em 2025, a União anunciou a reintegração de Pernambuco ao projeto e publica um edital de R$ 450 milhões para construção dos 370 km restantes.
A sessão da licitação está marcada para o dia 3 de março de 2026. O acordo prevê a contratação de obras para o Lote SPS 04, dos 73 km de infraestrutura entre os municípios de Custódia e Arcoverde, passando também por Sertânia e Buíque.
De acordo com a União, a estimativa de recursos utilizados na conclusão do trecho pernambucano varia de R$ 3,5 a R$ 5 bilhões.
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