Entidades pressionam Hugo Motta contra regulamentação de entregadores proposta por Coutinho

Cynara Maíra | Publicado em 05/02/2026, às 07h52 - Atualizado às 08h21

Regulamentação de entregadores de aplicativos é um dos focos do governo Lula para 2026 - Rovena Rosa/Agência Brasil
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As principais entidades empresariais do país entregaram ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), um manifesto criticando o Projeto de Lei Complementar (PLP) nº 152/2025, que propõe a regulamentação do trabalho intermediado por plataformas digitais.

O encontro ocorreu na quarta-feira (04) e reuniu representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI), da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), além de empresas do setor.

O documento, intitulado "Manifesto pela Regulamentação Responsável do Trabalho Intermediado por Plataformas Digitais", expressa "preocupação com os rumos do debate legislativo".

As signatárias argumentam que o substitutivo apresentado pelo relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), promove uma alteração estrutural no modelo de negócio, aproximando a relação das regras da CLT, o que, segundo elas, aumentaria a insegurança jurídica.

"Embora o relator afirme que o texto não cria vínculo, ele incorpora ao longo de seus dispositivos diversas previsões que, na prática, aproximam a relação das regras da CLT. Esse enquadramento é incompatível com o modelo de negócios das plataformas", diz um trecho do manifesto.

Impacto Econômico e Social

As empresas alertam para efeitos econômicos imediatos, como a majoração da carga tributária e o aumento de preços para o consumidor final.

O setor estima que a mudança na natureza jurídica e a imposição de tarifas mínimas podem reduzir a demanda e retrair o volume de operações, afetando a renda de 2,2 milhões de trabalhadores e a logística de mais de meio milhão de bares e restaurantes.

Atualmente, o ecossistema digital conecta cerca de 125 milhões de usuários no Brasil. O comércio e varejo digital movimentam mais de R$ 200 bilhões anuais em atividades vinculadas a esses serviços.

O Embate com o Governo

A movimentação empresarial ocorre em meio a divergências com o Governo Federal. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, lidera um Grupo de Trabalho (GT) que defende a estipulação de uma remuneração mínima por entrega e maior transparência nos algoritmos.

Boulos afirma que não recuará na garantia de condições dignas. "É preciso remunerar decentemente esses trabalhadores que muitas vezes levam comida para a nossa casa com fome", declarou o ministro.

O governo decidiu adiar por dez dias a apresentação do relatório final do GT para aprimorar os estudos técnicos, mas mantém a intenção de aprovar regras que garantam previdência e piso salarial.

As plataformas, por sua vez, consideram os valores propostos inviáveis e ameaçam judicializar a questão caso o texto avance sem alterações.

O PLP 152/2025

O projeto de autoria do Executivo, relatado por Augusto Coutinho, tramita em regime de prioridade.

O texto original criava a figura do "trabalhador autônomo por plataforma", mas o substitutivo de Coutinho e as propostas do GT de Boulos endureceram as regras, incluindo a possibilidade de enquadrar as plataformas como empresas de transporte, e não apenas intermediadoras de tecnologia.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou que pretende pautar o tema ainda no primeiro semestre de 2026.

Em seu relatório na Comissão, Coutinho propôs: 

Câmara dos Deputados iFood Empresas

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