Plantão Jamildo.com | Publicado em 13/01/2026, às 15h04
17,4 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e passaram a integrar as classes A, B e C em um intervalo de dois anos, entre 2022 e 2024. O contingente equivale à população total do Equador e foi identificado em estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), elaborado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), com série histórica de 1976 a 2024.
De acordo com a FGV, o ritmo de ascensão social no período recente foi 74% mais acelerado do que o observado entre 2003 e 2014, fase também marcada por forte mobilidade social no país. Entre 2022 e 2024, a participação das classes A, B e C na população cresceu 8,44 pontos percentuais. Desse total, entre 13 e 14 pontos percentuais correspondem a beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
O diretor da FGV Social e responsável pelo estudo, Marcelo Neri, aponta que a renda do trabalho foi o principal fator para a mudança no perfil social. “O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho, que talvez seja o principal símbolo da nova classe média vinda da base da distribuição de renda”, afirmou.
As classes A, B e C são categorias utilizadas em estudos socioeconômicos para classificar a população conforme a renda familiar. A classe C é tradicionalmente associada à classe média, formada por famílias que conseguem atender às necessidades básicas e manter algum nível de consumo. Já as classes B e A concentram faixas de renda mais elevadas, com maior estabilidade financeira.
Em 2024, o Brasil atingiu o maior patamar histórico de participação conjunta das classes A, B e C desde o início da série, em 1976. Esse grupo passou a representar 78,18% da população. A classe C respondeu por 60,97%, enquanto as classes A e B, somadas, alcançaram 17,21%.
No sentido oposto, as classes D e E registraram os menores percentuais já observados, com 15,05% e 6,77%, respectivamente. Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os dados refletem o impacto das políticas públicas associadas ao crescimento econômico. “Um governo do lado do povo, e não é um jogo de palavras, é mudança para melhor mesmo, para milhões de brasileiros e brasileiras”, declarou.
Ainda segundo o ministro, a combinação entre políticas sociais, educação, saúde e inclusão produtiva tem ampliado oportunidades para a população de menor renda. “Os mais pobres vêm ganhando oportunidades com o crescimento econômico acima de 3% ao ano, possibilidades de emprego e pequenos e médios negócios, ampliando a renda e a capacidade de consumo, o que impulsiona o próprio crescimento da economia”, disse.
Ele acrescentou: “Como diz o presidente Lula, é o dinheiro nas mãos de milhões dentre os mais pobres, que começam com um Bolsa Família e depois veem as portas se abrirem para um emprego ou um negócio apoiado”, finalizou.
Brasil reduz pobreza e extrema pobreza ao menor nível da série histórica, diz IBGE
Brasil desigual: 1% mais rico concentra 37% da riqueza declarada
Brasil registra menor nível de pobreza e extrema pobreza desde 2012, aponta IBGE