Sindmetro-PE questiona valor de trens usados para o metrô do Recife e aponta falhas técnicas

Plantão Jamildo.com | Publicado em 29/04/2026, às 16h34

Metrô do Recife - DIVULGAÇÃO
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O Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) protocolou denúncia no Ministério das Cidades apontando irregularidades na aquisição de trens destinados ao sistema metroviário do Recife. A entidade questiona aspectos técnicos e econômicos do processo, que envolve a compra de seis composições usadas do metrô de Belo Horizonte e a cessão de outras cinco unidades oriundas da TRENSURB.

De acordo com documentos obtidos pelo sindicato via Lei de Acesso à Informação, a operação é apresentada como solução provisória para o sistema pernambucano. No entanto, a análise técnica conduzida pelos metroviários indica a presença de equipamentos com tecnologia considerada ultrapassada, como motores de corrente contínua, além de possíveis dificuldades operacionais, manutenção mais complexa e incompatibilidade com a infraestrutura já existente no Recife. Segundo a entidade, esses fatores podem gerar custos adicionais e impactar a confiabilidade do serviço.

No campo financeiro, o Sindmetro-PE aponta que o valor estimado da aquisição chega a cerca de R$ 60 milhões, com custo médio aproximado de R$ 7,4 milhões por trem, sem considerar despesas extras com transporte, capacitação de equipes e manutenção. A entidade afirma que há indícios de que os mesmos equipamentos teriam sido anteriormente classificados como sucata e negociados por valores inferiores, o que levanta questionamentos sobre a formação de preços e a transparência do processo.

Outro ponto destacado é a ausência de estudos comparativos que embasem a escolha pela compra dos trens usados. Segundo o sindicato, não foram identificadas análises de custo-benefício nem avaliações de alternativas, como a aquisição de composições novas ou a modernização da frota atual.

A entidade também menciona que a operação ocorre em meio à estruturação de um processo de concessão do sistema metroviário, o que pode resultar na transferência futura desses ativos à iniciativa privada após a aplicação de recursos públicos.

Presidente do Sindmetro-PE, Luiz Soares afirmou que o caso exige apuração. “Estamos diante de uma operação extremamente preocupante: a compra de trens com tecnologia ultrapassada, alto risco operacional e sem transparência, por cerca de R$ 60 milhões, valor que levanta fortes indícios de sobrepreço. Não é aceitável que equipamentos antes tratados como sucata passem a custar dezenas de milhões aos cofres públicos, sem estudos técnicos e econômicos que justifiquem essa decisão. Isso coloca em risco o dinheiro público, a segurança da população e ainda pode beneficiar um futuro processo de concessão”, disse.

Diante dos questionamentos, o sindicato solicitou a suspensão imediata do processo, a revisão da decisão com base em critérios técnicos e econômicos e a apuração dos parâmetros utilizados na precificação dos ativos. A entidade informou ainda que continuará acompanhando o caso e poderá acionar órgãos de controle caso não haja reavaliação administrativa.

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