Parlamentares apontam falhas na organização do Carnaval de Recife e Olinda, além da divergência sobre atuação das forças de segurança durante a festa
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 24/02/2026, às 12h57
Deputados fizeram balanço do Carnaval na Alepe.
Houve críticas à organização, bets e uso de inteligência artificial.
Parte dos parlamentares denunciou violência policial.
Outro grupo elogiou atuação das forças de segurança.
Deputados estaduais fizeram um balanço do Carnaval em Pernambuco durante a primeira reunião plenária pós-festa momesca, na segunda-feira (23), na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Os discursos abordaram desde falhas na organização e na prestação de serviços até a atuação das forças de segurança, que dividiu opiniões no plenário.
O deputado João Paulo (PT) criticou o que chamou de “pasteurização” da festa. Segundo ele, a presença de publicidade de plataformas de apostas e o uso de inteligência artificial na decoração teriam reduzido o espaço de artesãos e agremiações tradicionais. O parlamentar também questionou a atuação da Polícia Militar em blocos e shows.
João Paulo relatou ter presenciado abordagens que classificou como abusivas no Recife Antigo e no encontro do bloco Cariri com o Homem da Meia-Noite. Ele citou ainda episódio durante apresentação do rapper Djonga, quando o artista interrompeu o show para reclamar da ação policial.
“Parece que alguns policiais despreparados têm prazer em bater no cidadão que está ali se divertindo e, muitas vezes, parado, sem fazer absolutamente nada. Isso tem que ser denunciado”, afirmou, ao cobrar providências da Prefeitura do Recife e do Governo do Estado.
Na mesma linha, a deputada Dani Portela (PSOL) criticou a organização do Carnaval em Olinda. A parlamentar endossa o discurso oposicionista do município, com denúncia de que houve acúmulo de lixo e circulação de veículos em meio à multidão, o que teria colocado foliões em risco. A parlamentar também contestou a avaliação do Executivo estadual de que teria sido o Carnaval “mais seguro da história”, ao mencionar relatos de violência policial.
Dani Portela ainda defendeu restrições à publicidade de casas de apostas durante a festa e cobrou valorização dos trabalhadores da cultura. “Respeitar a cultura não é colocar apenas na propaganda que o nosso Carnaval é lindo e multicultural. É respeitar principalmente quem faz e quem vive a cultura pernambucana independente dos quatro dias de folia”, declarou.
A deputada Rosa Amorim (PT) também apontou problemas na organização do Carnaval de Olinda e mencionou relatos de interrupções de apresentações de orquestras em razão de ações policiais. Para ela, é necessário apurar eventuais excessos. “Segurança não pode ser sinônimo de excesso, não pode ser justificativa para abuso”, disse.
Em contraposição às críticas, o deputado Joel da Harpa (PL) elogiou o trabalho das forças de segurança durante o período carnavalesco. Ele reconheceu a ocorrência de episódios isolados, mas afirmou que a maioria da tropa atuou de forma adequada.
“Não é fácil ser policial, sobretudo num momento como esse de Carnaval, mas 99% da nossa tropa agiu com precisão e firmeza, fazendo neste ano, segundo os números, um dos Carnavais mais tranquilos que Pernambuco já teve”, declarou.
Citado por Joel da Harpa, o deputado Romero Albuquerque (União Brasil) solicitou questão de ordem e teve a palavra concedida. Ele criticou os gastos do Governo do Estado com o Carnaval e defendeu que o reforço de segurança mobilizado durante a festa seja mantido ao longo do ano. Também mencionou reclamações relacionadas às refeições fornecidas aos policiais, ao funcionamento do Hospital da Polícia Militar e à ocorrência de casos de balas perdidas.
Além das discussões sobre segurança, parlamentares apontaram problemas na coleta de lixo e na organização do trânsito em diferentes municípios. As manifestações ocorreram no contexto do encerramento das festividades e do início do período de avaliação das ações adotadas pelo poder público.