Raquel Lyra e João Campos chegaram a divulgar por meio de suas assessorias o que consideram como evidências das acusações feitas no debate
por Cynara Maíra
Publicado em 18/09/2026, às 07h19 - Atualizado às 08h12
O segundo debate para os candidatos ao Governo de Pernambuco na quinta-feira (17) acirrou os ânimos entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
Além das agressões entre militantes de João e Raquel nas proximidades do estúdio da Rádio Cultura do Nordeste, João Campos e Raquel Lyra também foram para o ataque neste debate.
Após apresentarem suas propostas ao público, com alfinetadas mais comedidas no debate da Rádio Cidade de Caruaru na semana passada, a ideia dos políticos para esta semana foi prejudicar o adversário para tentar canibalizar os votos em uma disputa com empate técnico nas principais pesquisas.
O tom bélico começou já no primeiro bloco. Raquel Lyra abriu o programa acusando a militância do PSB de atuar de forma violenta nas ruas e de tentar fraudar manifestações com cabos eleitorais infiltrados.
"Ontem pessoas ligadas ao PSB foram detidas roubando material nosso, colocando militantes supostamente nossos com camisas roxas, para participar supostamente de um ato do candidato a presidente. Violência em Pernambuco não tem lado e nem tem justificativa", disparou a governadora.
A acusação de Raquel teve como base um dossiê montado por sua coligação, divulgado para imprensa após o debate, e protocolado na Polícia Federal no próprio dia do debate. O documento alega que militantes do PSB apreenderam ilegalmente material de propaganda governista. O item ainda sugere que assessores socialistas seriam responsáveis por perfis anônimos de ataque nas redes sociais.
João Campos rebateu as falas ao conseguir direito de resposta pela banca da OAB ainda no bloco inicial e associou o governo estadual a uma central de ataques digitais.
"Denunciamos o gabinete do ódio supostamente constituído no entorno do Palácio do Campo das Princesas. A Polícia Federal está investigando e esses ataques afrontam a democracia", afirmou João. O socialista também cobrou posicionamento de Raquel sobre advogados investigados por pagamentos via Pix para difamá-lo na internet.
No bloco de confronto entre os candidatos, João Campos mirou a atuação da família de Raquel Lyra no setor de transportes em Caruaru. O socialista apontou a existência de passivos trabalhistas na antiga empresa de ônibus da qual a gestora fez parte.
"A candidata foi por mais de 10 anos dona de uma empresa de ônibus. Enquanto esteve como dona da empresa de ônibus, não garantiu os direitos trabalhistas. Tem mais de 3 milhões de débitos de previdência, inclusive quase 1 milhão de débitos recolhidos dos trabalhadores e não transferidos para a previdência. Isso é apropriação indébita", afirmou o candidato do PSB.
Raquel negou qualquer irregularidade e disse que sua participação na sociedade era simbólica.
"É impressionante como você tem capacidade de produzir matérias falsas, informações falsas. Eu não fui empresária, não. Eu tinha 1% de cota desde 2016. Eu nunca administrei a empresa, mas também nunca privilegiei ela pelo fato dela ser da minha família", respondeu Raquel. A imputação do termo apropriação indébita garantiu à governadora um direito de resposta.
O incentivo às casas de apostas virtuais também colocou ambos os candidatos em rota de colisão. Raquel questionou os incentivos fiscais concedidos pela Prefeitura do Recife para as plataformas de jogos.
"Cristalizar o crime organizado no Brasil não é um bom caminho, e as bets são caminho para isso. Além disso, as bets têm adoecido a população. O senhor baixou os impostos e entregou o Recife às bets", acusou a gestora.
João defendeu que apenas atualizou as alíquotas do município com base em lei federal sancionada pelo presidente Lula, ampliando a arrecadação da capital, e devolveu a provocação citando eventos do Agreste.
"No último São João que a candidata anunciou aqui em Caruaru, esse São João teve o patrocínio master de uma bet. E dizer a ela que o primo dela, André Teixeira, autorizou publicidade de bet nos ônibus este ano", retrucou.
O ex-prefeito ainda insistiu na cobrança por números da segurança pública e da educação estadual. "Quantas delegacias a candidata abriu como governadora construindo do zero e inaugurando, de serrar a placa de uma delegacia nova inaugurada? Quantas foram?", indagou João.
Após Raquel listar investimentos gerais do programa Juntos pela Segurança, o socialista ironizou: "Daria tempo de ter respondido em três ou quatro segundos, porque ela não abriu nenhuma. Era só ter dito zero que estaria falando a verdade dentro do tempo".
Nome do PSOL ao cargo, Ivan Moraes, explorou a troca de farpas entre os líderes nas pesquisas para defender a sua candidatura.
"Tá muito chato essa arenga de vocês dois. É o tempo todo um xingando o outro, é o tempo todo um trazendo temas: 'Ah, foi o seu pai que fez, foi o seu pai que fez'. Os pais de vocês foram eleitos juntos", afirmou Ivan no palco.
O candidato do PSOL também citou a briga corporal entre apoiadores do lado de fora do auditório do Senac. "Vocês não imaginam como foi chegar aqui hoje. O pessoal tá brigando lá fora, brigando fisicamente, pessoas contratadas pelas duas candidaturas que são tidas como favoritas, levando às vias de fato aquilo que deveria ser um debate democrático", relatou.
Ivan também questionou João Campos sobre o voto favorável do PSB à PEC da anistia a partidos políticos. João reconheceu que houve "um erro de condução política", mas acabou ironizado pelo psolista por não citar nominalmente o líder da bancada, seu irmão e deputado federal Pedro Campos.