TRE mandou retirar do guia de Raquel Lyra falas sobre a polêmica do concurso da PCR após debate gerar tensões entre João Campos e gestora
por Cynara Maíra
Publicado em 14/09/2026, às 09h02
O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) concedeu uma decisão favorável para a campanha do ex-prefeito do Recife e candidato a governador de Pernambuco, João Campos (PSB), no fim de semana.
Após ambos os candidatos falarem de concursos públicos no debate da Rádio Cidade na sexta-feira (11), João Campos e a governadora Raquel Lyra (PSD) tentaram usar esses temas em seus guias eleitorais.
João Campos também solicitou à Justiça Eleitoral a proibição de inserções de televisão e postagens nas redes sociais que apresentavam acusações contra João Campos sobre o concurso da Procuradoria do Recife, que causou polêmica na gestão da Prefeitura do Recife ao fim de 2025.
Na sexta-feira (11), a Frente Popular de Pernambuco pediu a suspensão da inserção de 30 segundos exibida em cinco emissoras e nas redessociais.
O material associava a mudança na nomeação de um candidato com deficiência física no concurso para Procurador do Recife com a Operação Barriga de Aluguel. Isso porque o candidato que mudou de posição ao entrar na cota PCD seria filho do magistrado responsável pelo caso. A situação do concurso foi apelidado pela oposição de "fura fila".
Após o pedido da campanha de João Campos, o relator, desembargador eleitoral auxiliar Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, avaliou que a mensagem ultrapassou os limites da crítica política ao sugerir uma relação de favorecimento pessoal, sem provas concretas.
A coligação Pernambuco de Coração tentou restabelecer o material no TRE por meio de um mandado de segurança no sábado (12), mas a ação também foi indeferida pelo desembargador plantonista. Breno Duarte Ribeiro de Oliveira entendeu que a ordem judicial anterior não configurou censura prévia.
O TRE decidiu favoravelmente à Frente Popular em uma solicitação da coligação de Raquel Lyra contra a manutenção do site sobre o salário da governadora, mas mandou retirar guia que citava o caso na propaganda eleitoral.
Na decisão do desembargador eleitoral Fernando Braga Damasceno no processo 0602471-49.2026.6.17.0000, o juiz cita que "a tutela da liberdade de expressão e da crítica política, especialmente intensa no período eleitoral, não alcança a utilização de informações verdadeiras de maneira a produzir, mediante montagem, omissão ou associação, sentido global substancialmente distinto daquele que os próprios fatos objetivamente comportam". Mandando remover o guia em questão.
O tema foi destaque da declaração de João após Raquel insinuar sobre o caso do concurso na PCR, quando o socialista afirmou que a governadora seria "fura teto" por receber como procuradora do Estado em vez do salário de governadora.