TRE manda Instagram apagar posts contra Priscila Krause e exige identificação de perfis

Justiça Eleitoral determina ao Instagram retirada de publicações atacando Priscila Krause com polêmica criada com hospital em Garanhuns

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 15/08/2026, às 11h13 - Atualizado às 11h25

Fachada do TRE-PE, é possível ver o nome do local e um prédio espelhado
Justiça Eleitoral manda derrubar posts contra Priscila Krause e quer saber quem está por trás de três perfis no Instagram - TRE

O TRE-PE determinou a remoção de publicações contra Priscila Krause relacionadas a repasses para hospital de Garanhuns.

A Justiça também ordenou que o Instagram forneça dados para identificar os responsáveis por três perfis.

A decisão ocorre em meio à repercussão de auditoria do Ministério da Saúde, contestada pela unidade hospitalar.

Dias antes do Ministério da Saúde entrar na polêmica do hospital de Garanhuns, no Recife, a Justiça Eleitoral determinou a retirada de publicações no Instagram contra a vice-governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD).

As postagens relacionavam a candidata a repasses de recursos públicos para a Casa de Saúde e Maternidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Garanhuns, instituição que tem entre os sócios o marido da vice-governadora.

A decisão foi proferida pelo desembargador eleitoral Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE).

Além da remoção dos conteúdos, o magistrado determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, forneça informações necessárias à identificação dos responsáveis pelos perfis @caboarretado, @sensocriticol e @oprecodofeijao.

Segundo a decisão, depois de identificados, os responsáveis pelos perfis deverão se apresentar à Justiça.

TRE-PE apontou conteúdo ofensivo contra Priscila Krause

As publicações questionadas associavam Priscila Krause aos repasses destinados à Casa de Saúde e afirmavam que a vice-governadora utilizaria o Estado como "escritório de negócios".

Ao analisar o caso, o desembargador afirmou que a liberdade de expressão durante o período eleitoral não protege a divulgação de informações falsas ou ofensivas à honra.

Segundo o magistrado, os conteúdos buscavam promover um "rebaixamento moral da candidata", com impacto sobre a integridade do debate eleitoral.

A ação foi apresentada pela área jurídica ligada à candidatura de Priscila Krause.

Hospital de Garanhuns está no centro de controvérsia

A decisão do TRE-PE ocorre no momento em que a Casa de Saúde Nossa Senhora do Perpétuo Socorro também enfrenta questionamentos decorrentes de uma auditoria do Ministério da Saúde, conforme registrao neste sábado (15) pelo Jamildo.com.

São, no entanto, questões distintas.

A auditoria federal levantou questionamentos sobre procedimentos realizados pela unidade, incluindo sessões de hemodiálise e cirurgias oncológicas. O hospital contesta parte das conclusões e afirma possuir prontuários e outros documentos capazes de comprovar a realização dos atendimentos. A instituição anunciou ainda que adotará medidas administrativas e judiciais para questionar pontos do relatório.

No caso da hemodiálise, segundo a versão apresentada pela Casa de Saúde, a auditoria apontou falta de comprovação documental considerada suficiente para 90 sessões, dentro de um universo de aproximadamente 135 mil sessões realizadas no período analisado. A unidade argumenta que eventuais falhas de registro não significam necessariamente que os procedimentos não tenham ocorrido.

Relação do hospital com Priscila Krause já foi analisada pelo TCE

A ligação política com o hospital decorre do fato de Jorge Branco, marido de Priscila Krause, integrar o quadro societário da instituição.

A Casa de Saúde afirma que presta serviços à rede pública há 55 anos e que sua relação contratual com o poder público é anterior à atual gestão estadual.

Como mostrou o Jamildo.com, o hospital também cita uma auditoria especial concluída pelo Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) em julho de 2025.

Segundo a instituição, naquela análise não foram identificados prejuízos financeiros decorrentes da contratação pelo poder público nem nepotismo relacionado à presença do marido da vice-governadora na sociedade.

Entre os argumentos apresentados está o de que Priscila Krause não participou do processo de credenciamento nem dos pagamentos realizados à unidade.

PSD apontou suposta atuação coordenada de perfis

O PSD vem recorrendo à Justiça Eleitoral contra publicações em redes sociais que considera falsas ou ofensivas contra integrantes de sua chapa.

O partido sustenta que alguns desses perfis fariam parte de uma atuação digital coordenada e aponta supostos vínculos políticos com pessoas próximas ao candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos (PSB).

Até o momento, a existência de uma estrutura coordenada ou de vínculos dos responsáveis pelos três perfis com a campanha adversária não está estabelecida pela decisão relatada.

A determinação para que o Instagram forneça os dados de identificação pode permitir que a Justiça avance na apuração sobre quem administra as páginas.