Ronaldo Caiado elogia Raquel Lyra e defende neutralidade da governadora na disputa nacional

Em Pernambuco, Ronaldo Caiado concedeu entrevista no Recife antes de ir para Caruaru. Pré-candidato elogiou Raquel Lyra, sua correligionária

Cynara Maíra

por Cynara Maíra

Publicado em 24/06/2026, às 12h29 - Atualizado às 13h11

Ronaldo Caiado, Raquel Lyra, Priscila Krause, Túlio Vilaça
Janaina Pepeu/Secom

De passagem por Pernambuco neste feriado, o pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, defendeu a neutralidade política da governadora Raquel Lyra (PSD) diante da disputa nacional neste momento, Em entrevista à Rádio CBN Recife nesta quarta-feira (24), o governador de Goiás minimizou a falta de um apoio imediato da correligionária ao seu projeto eleitoral.

Caiado cumpre agenda junina em Pernambuco e passará a noite nos festejos de Caruaru, no Agreste, em um o roteiro de viagens pelo Nordeste.

Durante a entrevista, o goiano justificou que Raquel enfrentou dificuldades nos primeiros anos de mandato e agora foca na consolidação dos serviços públicos estaduais. Para o ex-governador, a cobrança por um posicionamento nacional imediato ignora a necessidade de governabilidade em Pernambuco.

"Você não pode cobrar da governadora neste momento, que sem dúvida nenhuma mostra sua capacidade ímpar de gestão. Ela, neste momento, está cuidando de quê? De Pernambuco. A função dela, neste momento, é cuidar de Pernambuco", afirmou Ronaldo Caiado.

O posicionamento ocorre semanas após Raquel Lyra sinalizar em entrevista para Revista Veja aproximação institucional com o presidente Lula (PT) e lembrar que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, garantiu autonomia para os palanques estaduais. Caiado confirmou que montará sua estrutura eleitoral no estado por meio de deputados, prefeitos e candidatos ao Senado da legenda.

Críticas à polarização e debate de indicadores

O governador de Goiás também elevou o tom contra o Palácio do Planalto e criticou os efeitos práticos da polarização entre o PT e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O médico ortopedista apresentou dados internos de pesquisas e defendeu que 65% da população busca uma alternativa de centro.

"O que traz essa polarização de benefícios para o cidadão? Zero. Você não discute nada relevante. Você simplesmente vai ficar um xingando o outro e, ao mesmo tempo, um se alimentando do outro e o povo ficando na mão do narcotráfico", declarou o presidenciável.

O pré-candidato usou os índices de segurança e os indicadores educacionais de Goiás como principal vitrine para atrair o eleitorado do Nordeste. O governador citou a liderança do estado no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e o desempenho na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

"Eu mantenho o nível do debate com dados, não com agressões rasteiras. Eu debato dados. Como você representou a sua população como governador do Estado? Quais são os parâmetros que te levam a, por exemplo, graças a Deus, eu encerrar um governo com 88% de aprovação?", indagou o gestor.

Posição sobre programas sociais e montagem de chapa

Ao ser questionado sobre os programas de transferência de renda, Caiado negou qualquer intenção de extinguir os benefícios vigentes. O político argumentou que a rede de proteção social precisa existir para amparar as famílias, mas defendeu a educação técnica como porta de saída da dependência estatal.

"Ela tem que ser mantida. Isso é uma rede de proteção. Ela tem que ser mantida. Agora, o que eu tenho que fazer é fazer com que o filho dela, veja bem, seja alfabetizada e que esse filho não dependa mais dessa condicionante da proteção do Estado", avaliou o governador.

O presidenciável comentou as negociações sobre a vaga de vice-presidente e as especulações de uma chapa puro-sangue com o dirigente Gilberto Kassab ou uma composição com o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Ele confirmou que a definição da composição partidária deve ocorrer antes da convenção oficial da legenda, marcada para o dia 26 de julho.

"Um candidato a presidente não é só se lançar candidato. Ele tem que ter uma estrutura partidária capaz de ter musculatura política para levar uma campanha nos 26 estados e no Distrito Federal", concluiu Caiado.