Governadora reafirmou defesa da redução da jornada após repercussão de fala na Fiepe; João Campos também declarou apoio à proposta
por Plantão Jamildo.com
Publicado em 03/09/2026, às 14h35
Raquel Lyra reafirmou apoio ao fim da escala 6x1 e à redução da jornada de trabalho.
Fala na Fiepe repercutiu após a governadora destacar desafios econômicos e competitividade das empresas.
João Campos também defendeu o fim da escala 6x1 e propôs diálogo com o setor produtivo.
PEC avançou no Senado e prevê redução gradual da jornada de 44 para 40 horas semanais.
A governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), voltou a se posicionar nesta quinta-feira (3) a favor do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho. Em vídeo publicado nas redes sociais, ela afirmou que já defendia a mudança antes do período eleitoral e acusou adversários de distorcerem suas declarações sobre o tema.
Como o Jamildo.com mostrou ontem, a manifestação ocorreu um dia depois de uma entrevista concedida após a sabatina promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). Na ocasião, Raquel não se posicionou contra o fim da escala 6x1, mas destacou os desafios econômicos envolvidos na adoção da medida e a necessidade de preservar a competitividade das empresas.
“Desde o primeiro momento que esse tema começou a ser debatido no Brasil, eu coloquei minha posição favorável à redução da jornada de trabalho no nosso país, para que cada pai e cada mãe de família tenha direito a passar mais tempo em casa, mais tempo com a sua família”, afirmou no vídeo desta quinta.
A governadora disse que decidiu retomar o assunto por considerar necessário esclarecer sua posição em meio à campanha eleitoral.
“Agora, em tempo de eleição, os adversários buscam o tempo inteiro desconstruir, desconstituir, colocar mentiras na minha boca. E o que eu venho falar com você aqui é que sempre como eu faço, olho no olho, papo reto, pelo fim da escala 6x1, por mais tempo em casa e com a família”, declarou.
Na entrevista concedida na quarta-feira (2), após participar da sabatina da Fiepe, Raquel havia concentrado a resposta nos efeitos econômicos que poderiam acompanhar uma eventual redução da jornada.
A governadora afirmou que a mudança poderia exigir mecanismos de compensação para evitar impactos sobre a competitividade dos negócios.
“Coloquei aqui a minha forma de pensar, sei dos desafios que tem, porque vai precisar, provavelmente, ter uma necessidade de subsídio que possa garantir competitividade nos nossos negócios. Então, esse é um tema que vai ser um tema nos próximos tempos”, afirmou.
A declaração foi reproduzida nas redes sociais e passou a ser utilizada por adversários políticos no debate eleitoral. No dia seguinte, Raquel voltou ao assunto para declarar de forma explícita seu apoio ao fim da escala 6x1.
O tema passou a fazer parte da disputa entre a governadora e João Campos (PSB), principal adversário na corrida pelo Governo de Pernambuco. Os dois candidatos participaram da sabatina da Fiepe nesta semana.
Após sua participação no evento da entidade, João Campos também foi questionado sobre a proposta. O candidato do PSB declarou apoio ao fim da escala 6x1 e associou a mudança à ampliação do tempo disponível para descanso e convivência familiar.
“Eu sou a favor do fim da escala 6x1. E acredito que a gente tem que pensar nas pessoas, nos trabalhadores, que muitas vezes é quem paga uma conta injusta de não ter tempo de estar com a família, com seus filhos ou até produzirem mais se tiver algum momento de descompressão maior”, afirmou.
Campos também afirmou que pretende manter diálogo com o setor produtivo caso a medida avance, especialmente para discutir mecanismos de apoio à geração de empregos. “E a gente vai estar à disposição para dialogar com o setor produtivo para que, claro, todo suporte que possa ser dado para gerar novos empregos a gente está pronto para fazer”, completou.
A discussão entre os candidatos ocorre paralelamente ao avanço da proposta no Congresso Nacional. A PEC que prevê o fim da escala 6x1 e a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais foi aprovada na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado.
O texto estabelece uma redução gradual da jornada e mantém a remuneração dos trabalhadores. A proposta prevê ainda dois dias de repouso semanal remunerado, com um deles preferencialmente aos domingos.
Depois da aprovação na CCJ, a matéria seguirá para análise do Plenário do Senado. A tramitação ocorre em meio à pressão do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para acelerar a análise da proposta antes das eleições.
Com a movimentação no Congresso e a repercussão da pauta entre trabalhadores, o fim da escala 6x1 passou a ocupar espaço também no debate eleitoral em Pernambuco.