Nomeações de Raquel Lyra majoritariamente para Casa Civil saíram no Diário Oficial desta quarta (1º). Pessoas ligadas ao PL constam nas indicações
por Cynara Maíra
Publicado em 01/07/2026, às 08h51 - Atualizado às 10h23
Após rumores de que o PL iria lançar um nome para disputar o Governo de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) nomeou diversas pessoas relacionadas com a família Ferreira e com o Partido Liberal.
As indicações estão no Diário Oficial desta quarta-feira (01). Entre elas está André Trajano, ex-secretário-executivo de Turismo, Cultura, Esportes e Lazer de Jaboatão dos Guararapes e ex-diretor-geral do Detran-PE do período em que o PL tinha o órgão na gestão da governadora. O partido perdeu os postos no setor com a maior entrada do PP de Eduardo da Fonte.
Para acomodar o novo grupo político, a governadora assinou o Decreto nº 60.963, de 30 de junho de 2026. A medida remanejou cargos em comissão de oito pastas, incluindo Planejamento, Mulher, Saúde, Mobilidade e a Vice-Governadoria, diretamente para o guarda-chuva da Casa Civil. Ao todo, 15 aliados do presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, e do deputado federal André Ferreira assumiram postos de assessoria especial e gestão com efeito retroativo a 1º de junho.
A lista traz nomes que integravam o primeiro escalão de Jaboatão dos Guararapes, como Daniel Nascimento, Ginaldo José Trajano e Denis Oliveira Silva, além de oficializar a entrada de Alexandre Menezes de Moura Filho, irmão do vereador do Recife Fred Ferreira (PL).
A discussão sobre indicar um candidato ao Governo pelo PL poderia indicar duas questões: a intenção de Flávio Bolsonaro em garantir maior espaço em um reduto de Lula e também uma forma de pressionar Raquel para que se posicione mais à direita. Anderson já tinha citado em outras situações que um endosso ao nome de Raquel dependeria de um afastamento dela de Lula e a esquerda.
A tendência no momento aparenta que o foco dos liberais será em tentar um nome para o Senado e ampliar as bases na Câmara dos Deputados e na Alepe.
Nomes da direita fora do PL, como o presidente estadual do Novo, Técio Teles, e o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) falaram contra a ideia de lançar mais à direita ao afirmar que não há tempo para uma candidatura ter chances reais de vitória. Gilson chegou a dizer que um nome agora favoreceria João Campos (PSB), já que retiraria votos de Raquel.
O ex-ministro, que deixou o PL após atritos com Anderson Ferreira pela vaga ao Senado, avalia que uma postulação isolada neste estágio do calendário funcionaria apenas como um "fantoche" para beneficiar o projeto socialista.