Raquel Lyra entra no debate sobre jornada de trabalho e defende redução da escala 6x1

Governadora em entrevista nesta segunda (11) que apoia a proposta sobre escala 6x1 e que pauta deve avançar no Congresso apesar de resistências

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 11/05/2026, às 17h21

Imagem Raquel Lyra entra no debate sobre jornada de trabalho e defende redução da escala 6x1

Raquel Lyra declarou apoio à redução da jornada 6x1

Governadora falou sobre o tema em entrevista ao Diario de Pernambuco

Ela afirmou que proposta deve avançar no Congresso Nacional

Raquel também citou preocupações do setor produtivo sobre custos

A governadora Raquel Lyra (PSD), declarou nesta segunda-feira (11) ser favorável à redução da jornada de trabalho no modelo 6x1, tema que vem sendo debatido no Congresso Nacional. A posição foi apresentada durante entrevista concedida ao Diario de Pernambuco, no Palácio do Campo das Princesas.

Segundo Raquel, a discussão sobre a ampliação do tempo de convivência familiar é legítima e deve avançar no Legislativo federal. “Eu sou a favor em se reduzir a jornada de trabalho. Você permitir que um pai de família, uma mãe de família possa estar em casa mais um dia, isso não tem discussão. É claro que eu sou a favor”, afirmou.

Na avaliação da governadora pernambucana, o debate sobre a redução da jornada se consolidou como uma pauta relevante no cenário nacional. Ela também afirmou considerar difícil que a proposta não avance no Congresso. “Eu acho muito difícil isso não ser aprovado no Congresso Nacional”, declarou.

Apesar do posicionamento favorável, Raquel ressaltou que a discussão envolve preocupações apresentadas pelo setor produtivo e por empregadores, especialmente em relação ao impacto econômico e aos custos para manutenção de postos de trabalho.

Como é que se paga a conta? O setor produtivo, o segmento empregador está colocando a necessidade de reduzir o Custo Brasil, para que possa haver contratação sem haver aumento dos produtos”, afirmou.

A governadora disse considerar legítimas as preocupações econômicas levantadas por empresários e representantes da indústria e do comércio. Segundo ela, o avanço da proposta deverá ocorrer acompanhado de negociações relacionadas à competitividade e ao ambiente de negócios no país.

Muitos dos segmentos da nossa economia já têm uma escala que não é 6x1. Isso atinge um determinado segmento”, observou.

Debate em Brasília

O debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 ganhou força nos últimos meses no Congresso Nacional. Após resistência inicial de partidos do Centrão, lideranças de siglas de direita passaram a admitir discussão sobre o tema, enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou propostas que tratam do assunto para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), movimento para acelerar a tramitação.

Atualmente, a Câmara reúne projetos apresentados em diferentes períodos. Um deles foi protocolado em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes. Outro texto, apresentado em 2025 pela deputada Erika Hilton, também propõe alterações na carga horária semanal. As duas iniciativas defendem a redução da jornada de 44 para 36 horas semanais.

A proposta de Erika Hilton inclui ainda a possibilidade de adoção do modelo de quatro dias de trabalho por três de descanso, com limite diário de oito horas trabalhadas.

No Senado Federal, a matéria mais antiga sobre o tema é uma Proposta de Emenda à Constituição apresentada em 2015 pelo senador Paulo Paim. O texto prevê diminuição gradual da jornada semanal, inicialmente para 40 horas e, posteriormente, para 36 horas.

Apesar das diferenças entre os projetos, as propostas têm um ponto em comum: reduzir a carga horária e o número de dias trabalhados sem alterar salários ou benefícios dos trabalhadores.

O tema ganhou maior repercussão política ao longo de 2025, impulsionado por mobilizações organizadas por movimentos populares em defesa do fim da escala 6x1. A pressão também ampliou o espaço da discussão em Brasília e levou setores do governo federal a demonstrarem apoio público à pauta.

O Partido dos Trabalhadores passou a assumir protagonismo na defesa da proposta. O presidente nacional da legenda, Edinho Silva, tem defendido o avanço da discussão e afirmou recentemente que o debate é “urgente”, embora reconheça a complexidade do tema.

Segundo integrantes da sigla, o partido pretende associar a pauta trabalhista ao discurso econômico e social que deverá ser utilizado nas eleições de 2026. Nos bastidores, dirigentes avaliam que, caso aprovada, a mudança poderá ser apresentada como uma das principais medidas de impacto popular do atual ciclo político, ao lado da proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil.

A tendência discutida atualmente no Congresso é que uma eventual proposta de consenso caminhe para uma escala de cinco dias de trabalho por dois de descanso, com redução da carga semanal para 40 horas. Hoje, a legislação prevê limite de 44 horas semanais.