“Parece-me irreversível dois palanques para Lula em Pernambuco”, diz João Paulo ao avaliar indefinição das alianças

Deputado do PT afirma que cenário político mudou no Estado e avalia como irreversível a chance de mais de um palanque de apoio a Lula nas eleições

Plantão Jamildo.com

por Plantão Jamildo.com

Publicado em 16/03/2026, às 15h42

Foto: Jarbas Araújo / Alepe
Foto: Jarbas Araújo / Alepe

João Paulo afirma que cenário político de Pernambuco passa por mudanças.

Deputado diz que Lula pode ter mais de um palanque no Estado em 2026.

Parlamentar cita Humberto Costa, Marília Arraes e Silvio Costa Filho na disputa ao Senado.

Movimentos políticos indicam reacomodação de alianças entre grupos estaduais.

O deputado estadual João Paulo (PT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa de Pernambuco, nesta segunda-feira (16), para avaliar o cenário político no Estado,  que passou por mudanças rápidas nos últimos dias. Segundo o parlamentar, a atual configuração das alianças resulta, naturalmentem em mais de um palanque de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições.

Ao comentar a conjuntura, o parlamentar citou a frase atribuída ao ex-governador Agamenon Magalhães de que, na política, “não há amigos para sempre nem inimigos eternos”, ao mencionar o tabuleiro de Silvio Costa Filho (Republicanos) e Marília Arraes (PDT), que estão de saída da órbita do prefeito João Campos. "Este cenário seria improvável poucos meses atrás", afirma.

João Paulo relembrou que, ao quando defendeu anteriormente a possibilidade de dois palanques estaduais em apoio à reeleição de Lula, recebeu críticas. “Quando eu coloquei aqui, não coloquei nenhuma posição política de quem o PT poderia apoiar para governador. A tese que eu defendi foi a tese dos dois palanques apoiando o presidente da República”, disse.

De acordo com o deputado, os movimentos recentes indicariam a consolidação dessa hipótese. Na avaliação dele, o tratamento dado pelo governo federal à governadora Raquel Lyra (PSD) e ao prefeito do Recife, João Campos (PSB), torna difícil que ambos estejam em campos políticos opostos em relação ao presidente. “Parece-me que é irreversível os dois palanques apoiando a reeleição do presidente Lula”, afirmou.

Com roupas carnavalescas sorriem Raquel Lyra, Lula e João Campos. Ao fundo Maria Arraes e Luciana Santos
João Campos e Raquel Lyra estão entre o presidente Lula no camarote do Galo da Madrugada - Reprodução TV Globo

O deputado também mencionou a possibilidade de que a disputa para o Senado em Pernambuco possa reunir três nomes em apoio à Lula, ao mencionar Humberto Costa (PT), Marília e Silvinho.

Se esse cenário se consolidar, o presidente Lula vai ter três candidatos ao Senado aqui no Estado: Humberto, que é indiscutível pelo PT, Marília Arraes, que vem se colocando como senadora de Lula, e agora o ministro Silvio Costa Filho”, disse.

Nos bastidores, a movimentação indica reacomodação de Silvio Costa Filho e Marília Arraes, que eram apontados como possíveis integrantes do palanque de João Campos. Na atual conjuntura, ambos são citados como nomes próximos ao grupo da governadora Raquel Lyra.

Ao mesmo tempo, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), que vinha sendo associado ao campo político da governadora - e possui cargos no governo estadual, passou a ser mencionado em articulações com o prefeito do Recife.

Eduardo da Fonte, Humberto Costa e Lula da Fonte

Os dois principais polos da disputa estadual buscam ampliar interlocução com setores de centro. A movimentação inclui negociações de João Campos com Eduardo da Fonte e conversas de Raquel Lyra com Silvio Costa Filho.

No caso do ministro, aliados afirmam que não há definição sobre eventual candidatura ao Senado. A interlocutores, ele tem indicado que a prioridade neste momento é a organização da chapa proporcional do Republicanos e o diálogo com o presidente Lula. A decisão sobre eventual candidatura deverá ocorrer apenas durante o período das convenções partidárias.

A possibilidade de uma candidatura de Marília Arraes ao Senado também depende da estruturação de uma chapa do PDT em aliança com o governo estadual.

Para João Paulo, o cenário atual ainda deve passar por ajustes até a definição das candidaturas. “O certo é que há uma nova conjuntura política no Estado e ainda vai levar algum tempo para que ela seja vista com mais nitidez política e clareza ideológica”, concluiu a análise, antes de comentar sobre a participação de O Agente Secreto no Oscar, com a festa no Cinema São Luiz.