O que Marília ouviu de Raquel?

Aliados de Marília Arraes e Raquel Lyra contam bastidores das negociações para a formação de chapa do Senado, nestas eleições de 2026

Jamildo Melo

por Jamildo Melo

Publicado em 18/03/2026, às 09h54 - Atualizado às 10h29

Marília Arraes, ex-deputada federal
Aliados de Raquel Lyra passaram a comemorar avanços na montagem da chapa majoritária, antes mesmo da expulsão do PP do governo estadual - Divulgação

Aliados de Raquel Lyra passaram a comemorar avanços na montagem da chapa majoritária, antes mesmo de movimentos duros contra o PP.

A governadora teria atraído nomes fortes para o Senado, como Marília Arraes e Silvio Costa Filho, antes ligados a João Campos.

A estratégia aposta no apoio de prefeitos e na força eleitoral própria de Marília para compensar eventuais perdas de palanque.

Nos bastidores, cresce a avaliação de que alianças são flexíveis e que o eleitor prioriza resultados, não disputas passadas.

Já no PT, há resistência à composição, com críticas à possível incoerência ideológica e dúvidas sobre o apoio de Raquel a Lula.

Horas antes de o governo do Estado anunciar que estava pedindo de volta os cargos oferecidos ao PP de Eduardo da Fonte, na máquina estatal, os aliados de Raquel Lyra já comemoravam o avanço nas negociações para a formação da chapa majoritária.

O evento festivo da posse de Pedro Freitas na Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) deixou o sentimento bem claro.

"Há 15 dias, Raquel Lyra não tinha um candidato ao Senado. Agora já tem dois", afirmavam aliados, em referência à ex-deputada federal Marília Arraes e ao ministro Silvio Costa Filho, antes cotados na companhia de João Campos.

Esses mesmos correligionários expunham a estratégia apresentada por Raquel Lyra à Marília Arraes, na semana passada, no Campo das Princesas.

"Raquel Lyra pode colocar fácil 150 prefeitos para eleger Marília Arraes e depois levar Silvinho de roldão também", revelou uma fonte do site Jamildo.com, sob reserva.

"Nos sabemos que ela pode desidratar (ao mudar de palanque, de João Campos para Raquel)... mas ela já tem o voto pessoal dela, o que compensa e ajuda", explica a fonte.

Em relação às farpas trocadas entre as duas no passado recente, os aliados da governadora minimizam, argumentando que o eleitor comum quer saber de resultados, entregas, sem ligar para as posições partidárias.

Na muda, Marília abandonou as redes sociais e nada afirmou sobre o encontro. Nada no feed. Mas, durante a visita de Lupe ao Recife, os correligionários dela já diziam que nada era impossível em política.

No PT, que tem Humberto Costa como nome seguro na disputa, a preocupação é mais ideológica e voltada ao cenário nacional, que criaria uma suposta incoerência para a chapa governista.

"Ela até hoje se veste de vermelho, como se fosse petista ainda, mas vai estar no mesmo palanque que até agora ainda não disse se vai apoiar Lula? Essas pessoas que querem palanque duplo (como João Paulo) porque não cobram que a governadora declare apoio a Lula!. ... e mesmo que ela declare esse apoio, uma coisa não muda: João Campos tem um trabalho nacional em favor de Lula", compara um petista apaixonado pelo socialista.