Com repercussão da fala de Túlio Gadelha sobre vídeo de Lula em apoio a João, Felipe Cury afirmou que "Lula tem lado" e criticou falta de posição de Raquel
por Cynara Maíra
Publicado em 23/06/2026, às 07h46 - Atualizado às 08h25
Reação do PT: O secretário de Habitação do Recife, Felipe Cury, rebateu as declarações de Túlio Gadêlha (PSD) e afirmou que o vídeo de apoio de Lula (PT) a João Campos (PSB) causou uma crise no parlamentar governista.
Cobrança de Lado: Cury afirmou que Lula tem lado definido e cobrou que a governadora Raquel Lyra (PSD) encerre sua neutralidade e declare seu voto nacional antes que seus aliados critiquem o PT.
Fronteira Ideológica: O dirigente petista usou as alianças conservadoras de Raquel, como o apoio de Gilson Machado Neto (Podemos), para cravar que o palanque da governadora se alinha com bolsonaristas.
Resgate de Coerência: A resposta relembrou críticas que Túlio fez ao PT em 2018, apontando que o deputado federal mudou de opinião e de legenda para se abrigar no governo atual.
Xadrez dos Dissidentes: A disputa expõe o peso do eleitorado lulista no estado e a divisão interna do PT, onde figuras como João Paulo e Doriel Barros defendem múltiplos palanques, apesar de 80% da sigla apoiar João Campos.
Após o deputado federal e pré-candidato ao Senado Túlio Gadelha (PSD) afirmar que o presidente Lula (PT) teria sido pressionado para fazer um vídeo de apoio a João Campos (PSB), um dos principais aliados do socialista no PT se pronunciou.
O secretário de Habitação do Recife e vice-presidente do PT-PE, Felipe Cury, declarou que o vídeo de Lula deve ter "causado uma crise" em Túlio.
"Lula tem lado! O nosso lado não é com bolsonaristas", afirmou Felipe, em relação a nomes mais conservadores que apoiam Raquel. No mesmo dia da declaração, o ex-ministro do Turismo de Bolsonaro, Gilson Machado Neto (Podemos), declarou apoio oficial para governadora.
Cury também alfinetou Túlio sobre a neutralidade de Raquel Lyra (PSD) até o momento da pré-campanha. "Em vez de ficar preocupado com a nossa posição, mande a governadora se posicionar. Quando ela disser em quem vai votar, aí você poderá se colocar", relatou. Raquel já afirmou durante entrevista para Revista Veja que deve se posicionar nacionalmente no momento certo.
Assim como o deputado federal aliado de Raquel falou sobre a época da prisão de Lula, o secretário de Habitação do Recife falou sobre 2018 e citou que Túlio teria dito que teria faltado humildade ao PT e que a vitória de Bolsonaro seria por conta do lançamento da candidatura petista. "Hoje, mudou de opinião e de partido", concluiu Cury.
No vídeo de Gadelha, ele relembra que entre os pernambucanos que estavam junto a Lula durante sua prisão, não havia nomes do PSB. Túlio alega que esses teriam corrido para votar pelo impeachment de Dilma pouco antes.
Os atritos que envolvem a figura do presidente Lula envolvem a alta elegibilidade do petista em Pernambuco. Qualquer figura que vencer a disputa em Pernambuco precisará dos votos do eleitorado lulista.
Com a aliança nacional entre PT e PSB, a tendência natural é que o presidente subisse no palanque de João Campos, mas alguns nomes do PT veem a boa relação entre o petista e a governadora como uma oportunidade para repetir o caso de 2006.
Naquele ano, Lula apoiou tanto Humberto Costa (PT) quanto Eduardo Campos (PSB), com ambos no mesmo palanque.
A presença de Túlio como um dos principais pré-candidatos ao Senado na chapa de Raquel seria uma forma de chamar mais eleitores lulistas que não desejam votar nos socialistas.
Apesar de dissidentes relevantes entre os petistas, como os deputados estaduais João Paulo (PT) e Doriel Barros (PT) e o vereador Osmar Ricardo (PT), mais de 80% dos filiados apoiaram uma aliança estadual com João Campos, no fim de março.